terça, 17 de julho de 2018

Construir em MS

Mão de obra sobe até 150% e eleva custo da construção civil em 8,4% em 12 meses

9 DEZ 2010Por ADRIANA MOLINA01h:20

Construir em Mato Grosso do Sul ficou 8,43% mais caro nos últimos 12 meses, segundo o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento é superior à média nacional, de 7,65% no mesmo período e bem acima da inflação acumulada, de 5,63%.

O custo do metro quadrado hoje no Estado é de, em média, R$ 712,50, contra R$ 687,80 em novembro de 2009. No mês, houve alta de 0,32% e, de janeiro até novembro, de 8,15%. O aumento deve-se basicamente ao custo da mão de obra, que pela pouca oferta de trabalhadores no mercado estadual, fez valer a lei de oferta e demanda, resultando em acréscimo expressivo nos salários.

Segundo o Sindicato Intermunicipal da Construção do Estado de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS), o atual piso salarial é de R$ 723, porém, há profissionais recebendo quase 150% mais que isso. "Os informais chegam a ganhar R$ 1,8 mil. E, no caso dos formais, a média é de R$ 900. E mesmo assim não existe mão de obra disponível, e quem tem não demite", conta a advogada da entidade, Jucineide Almeida de Menezes.

E já que não há como economizar na contratação de pedreiros, serventes e mestres de obra, quem ainda assim pretende construir ou até mesmo fazer a reforma de um imóvel – plano de muitos nos finais de ano – deve tentar reduzir os custos no material a ser usado. A mão de obra costuma representar cerca de 30% do valor gasto num empreendimento, enquanto que os materiais, em média 70%.

A recomendação é que se contrate um profissional para a gestão do projeto. Embora um arquiteto custe em média 7% do valor da obra, ele pode trazer uma economia de, no mínimo, 15% administrando o uso de materiais e negociando com fornecedores.

"Com um profissional, além de existir fiscalização para evitar que algo errado seja feito – dando mais tarde dor de cabeça ao proprietário – também se evita o desperdício. Fazemos um projeto, calculamos a medida exata do que será usado", explica o arquiteto Rogério Yuri Farias Kintschev. "Ainda temos conhecimento de mercado, pesquisamos preços, pois a diferença hoje, dependendo do material, chega a 30% de uma loja para outra. E, em cima disso, ainda conseguimos preços em torno de 5% menores com fornecedores, em relação a um cliente comum", completa.

Opções
Outra vantagem de colocar a gestão do empreendimento nas mãos de um profissional está na criatividade usada para fazer a obra caber no orçamento do cliente. Segundo Kintschev, é possível fazer uma boa redução em itens de acabamento, que geralmente são caros, mas sem que se perca beleza e funcionalidade.

O revestimento da cozinha ou banheiro, por exemplo – material de peso nas contas, pode ser ao mesmo tempo bonito, exercer seu propósito e ainda sair cerca de 70% mais barato. "Podemos reduzir a cerâmica, azulejo ou pastilha de uma cozinha de 3x4 metros, de 42 metros quadrados para 12 metros quadrados, fazendo apenas a cobertura do que chamamos de área molhada, onde fica a pia e fogão. No restante usamos tinta impermeável – tudo de primeira qualidade. Dessa forma, fica com uma boa estética, atende às necessidades do ambiente e reduz o custo, pois além de usar menos revestimento, se usa menos argamassa, rejunte e mão de obra", explica.

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