segunda, 23 de julho de 2018

DESAFIOS PARA 2011

Mão de obra pode frear o crescimento da indústria

16 JAN 2011Por Edivaldo Bitencourt00h:00

Após viver uma "década de ouro", com a diversificação da economia e geração recorde de empregos nos primeiros 10 anos deste século, a falta de trabalhadores qualificados transformou-se no principal gargalo para a manutenção do ciclo virtuoso da indústria sul-mato-grossense. "O risco de colapso do desenvolvimento está na mão de obra", alerta o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen. Somente para este ano, o setor secundário precisa de 30 mil empregados qualificados e disponíveis.

A situação é tão crítica que falta gente para preencher os cursos profissionalizantes no Estado. A indústria do vestuário, que encerrou 2010 com um déficit de 2 mil trabalhadores no Estado, só não dobra de tamanho por causa da falta de mão de obra qualificada, afirma o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário, José Francisco Veloso. Algumas fábricas não implantam dois turnos porque não conseguem quadros suficientes.

O Governo estadual reconhece o problema. "É uma mudança cultural. A industrialização e a diversificação da economia são recentes", argumenta o superintendente de Indústria da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário e Produção (Seprotur), Jonathas Soares Camargo. A falta de trabalhadores qualificados é considerado o principal desafio dos próximos quatro anos pela titular da pasta, Tereza Cristina Corrêa da Costa.

Força
Nos últimos 10 anos, amparada pela lei de incentivos aprovada em 2000, a indústria sul-mato-grossense pisou fundo no acelerador. Houve aumento de 149% no número de empregos formais, de 45,7 mil para 114 mil, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Na década anterior, o total de trabalhadores na indústria cresceu 41%, de 32,3 mil, em 1990, para 45,7 mil no ano 2000. Neste século, a média mensal foi de 569 novos empregos por mês na indústria, crescimento de 412% em relação aos 111 mensais criados nos anos 90.

O número de fábricas no Estado cresceu 156% em 20 anos, de 3,7 mil para 9,5 mil unidades, sendo que o maior salto também ocorreu nos últimos 10 anos. A aceleração fica mais evidente ao se analisar as exportações de produtos industrializados, que acumula aumento de 1.302%, passando de US$ 142,6 milhões, em 2000, para cerca de US$ 2 bilhões no ano passado, conforme a Fiems. Nos anos 90, o crescimento foi de 504% (US$ 23,6 milhões em 1990).

Desde 2006, o Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas geradas pela indústria, cresce na casa dos dois dígitos no Estado. A previsão é de fechar 2010 em R$ 5,9 bilhões, o que representará acréscimo de 227% em 10 anos, em relação aos R$ 1,8 bilhão registrados em 2000. E já se mantém na frente do agronegócio como atividade mais importante do Estado.

Competitividade
A falta de trabalhadores poderá afetar a competitividade da indústria no Estado. De acordo com Longen, a situação é pior na construção civil, que precisa de 5 mil trabalhadores apenas na Capital. "A construção civil está em estado de colapso", ressalta.

Além de não ter pessoal para ampliar ou para se instalar, a indústria sofre outro efeito da falta de quadros: reajustes salariais expressivos. A medida reduz a competitividade do setor, segundo a Fiems.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação e Afins, Rinaldo Salomão, o reajuste do ano passado ficou entre 6% e 10%, até quatro pontos percentuais acima da inflação de 6,32%, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Campo Grande.

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