quarta, 18 de julho de 2018

INTEGRAÇÃO

Manter interação econômica Brasil-Argentina será desafio, diz embaixador

4 OUT 2010Por DA REDAÇÃO01h:21

O desafio do futuro governo brasileiro e também da Argentina, que será eleito no ano que vem, será manter e fortalecer a interação econômica que já existe entre os dois países. Isso não se faz por meio exclusivamente do comércio, mas também da própria estrutura produtiva de cada nação, uma vez que boa parte da produção brasileira depende de insumos importados da Argentina e vice-versa. Essa estrutura é praticamente "autofertilizada" a partir de investimentos recíprocos.

Segundo o embaixador brasileiro na Argentina, Enio Cordeiro, que em entrevista exclusiva à Agência Brasil, em 2002 o comércio bilateral era de US$ 7 bilhões nos dois sentidos, com déficit de US$ 2 bilhões para o Brasil. Em 2008, o comércio registrou um total de US$ 30 bilhões, com superávit de US$ 4 bilhões para o Brasil.

O importante a notar, segundo o embaixador, não é apenas o expressivo superávit, mas o crescimento de 4,5% do comércio bilateral em seis anos. "Temos crescimento no setor de agronegócios, na indústria da energia elétrica e na construção de turbinas para a siderurgia, por exemplo. Na Argentina, há uma ampla gama de indústrias que vai desde a alimentícia até a área da construção civil".
 
Cordeiro disse que desconsiderado o ano de 2009, bastante atipico para a economia do mundo inteiro devido à crise internacional, os primeiros oito meses de 2010 já sinalizam que o comércio bilateral tornou-se mais equilibrado do que em 2008 e sugerem que um recorde histórico poderá ser registrado. O crescimento do emprego e da atividade produtiva nos dois países, segundo o embaixador, tendem a se fortalecer.

Ele ressalta que além da relação econômica, é importante notar que existe a integração financeira entre os dois países, não apenas com fluxo consistente de financiamentos do BNDES para obras de infraestrutura na Argentina, por exemplo, mas com a participação de empresas brasileiras radicadas nó país vizinho e com a importação de bens e de serviços, além da implementação de sistemas inovadores, como é o caso do comércio em moeda local. Essa ferramenta já não é utilizada de maneira tão tímida como ocorria nos primeiros momentos de sua utilização, em 2008.

De acordo com Enio Cordeiro, o uso da moeda local nas transações comerciais está se fortalecendo mês a mês, mas ainda não atingiu todo o seu potencial. "Essa é uma ferramenta que tem grande potencial, sobretudo para as pequenas e médias empresas, pois é um multiplicador de oportunidades de comércio. Já notamos que a partir do momento em que uma empresa utiliza o pagamento de suas importações ou exportações em moeda local, volta a fazê-lo com  frequência e intensidade cada vez maiores, principalmente no caso das pequenas e médias empresas que estão iniciando suas atividades no comércio exterior".

O embaixador disse que também são cada vez mais frequentes as reuniões entre o Brasil e a Argentina no ambiente do Mercosul. Atualmente, segundo Cordeiro, já se fala, neste ambiente privado, de uma "realidade mercotêxtil", por exemplo. "Não está muito distante o tempo em que, em vez de se falar nos interesses da Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] ou da Firjan [Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro], se falará dos interesses de uma Federação Brasil-Argentina ou Federação Mercosulina de Produção. Vejo que as oportunidades que se formam para o setor empresarial a partir dessa associação têm um aspecto qualitativo importante. Isso fica bastante visível quando se vê a composição das importações e das exportações recíprocas no âmbito do Mercosul e, especialmente, o alto componente de elaboração industrial que têm essas exportações".

Para Cordeiro, quanto mais intensa for a relação comercial entre o Brasil e a Argentina, mais intensa também será a ocorrência de dificuldades pontuais, mas isso não é um problema. "O pior seria não ter problema nenhum dessa natureza", disse ele, "porque isso significaria a total irrelevância da relação bilateral. Uma relação relevante, intensa, muito trabalhada, sempre tem alguma dificuldade. O importante não é a ausência delas, mas sim ter mecanismos institucionais e bem azeitados, além da vontade política de resolver os problemas quando eles aparecem. Isso não tem faltado na relação entre o Brasil e a Argentina".

Fonte: Agência Brasil

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