terça, 17 de julho de 2018

pronunciamento

Mantega diz que 2011 será de consolidação fiscal e contenção de gastos

25 NOV 2010Por Brasília00h:00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou em seu primeiro pronunciamento após a confirmação de que permanecerá no cargo no governo Dilma Rousseff, que 2011 será um ano de consolidação fiscal e de contenção das despesas de custeio. Em tom enfático, Mantega disse que chegou o momento na economia brasileira de reduzir os gastos do governo e realizar um novo movimento anticíclico. Nesse movimento, o governo recua na contenção de gastos para abrir mais espaço de demanda do setor privado.

Mantega ressaltou que em 2008 o governo fez um superávit primário maior que o previsto na meta, o que permitiu a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB), com recursos do esforço fiscal mais elevado. Com a crise mundial, no entanto, o governo reduziu o superávit primário para permitir uma recuperação mais rápida da economia brasileira.

Nesta primeira entrevista, o ministro insistiu que a redução dos gastos permitirá uma queda mais rápida na taxa de juros. Ele também assegurou que o BNDES receberá menos recursos do Tesouro Nacional, abrindo espaço para o setor privado fazer empréstimos de longo prazo.

Mantega alertou que o processo de consolidação fiscal corre risco se forem aprovadas propostas de vários aumentos de gastos, como a PEC 300, do aumento dos policiais, que custará R$ 46 bilhões; o aumento do salário dos servidores do Judiciário; o reajuste maior para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo; o aumento do mínimo em 2011 acima do já previsto, e outras propostas. Disse ainda que espera que o Judiciário, Legislativo trabalhem junto com o Executivo na contenção dos gastos.

O ministro afirmou que o objetivo do novo governo é que a dívida pública brasileira atinja 30% do PIB até 2014. Só assim, segundo ele, o crescimento será sustentado. Ele ressaltou também que o novo governo deseja a manutenção do "crescimento de qualidade", aumentando os investimentos e fortalecendo o mercado interno para gerar milhões de empregos.

Sobre a meta fiscal, o ministro se negou a usar o termo "recuperação". "Não se trata de recuperar. Recuperamos algo que está prejudicado", disse, acrescentando que a situação fiscal no Brasil é melhor do que a da maioria dos países. "Se trata, portanto, de melhorar".

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