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MERCADO

Mantega critica limites para controle de capitais

17 ABR 2011Por FOLHA ONLINE02h:59

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, condenou neste sábado qualquer tentativa de restringir a forma que gerenciam o fluxo de dinheiro que entra em economias de rápido crescimento dos países emergentes.

"Ironicamente, alguns dos países responsáveis pela mais profunda crise desde a Grande Depressão, e que ainda têm de resolver seus próprios problemas estão ansiosos para prescrever códigos de conduta para o resto do mundo", acrescentou Mantega.

O Brasil e outros países culpam a política de juro zero do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, pelo fluxo de dinheiro em suas economias, em busca de maiores retornos. Esse fluxo está impulsionando a inflação e apreciando as moedas dos países emergentes.

O G24, grupo de países em desenvolvimento, que inclui Brasil e Índia, fez um apelo ao FMI na quinta-feira para que mantenha "uma abordagem de mente aberta" ao gerenciamento de fluxos de capitais.

O ministro das Finanças do México, Ernesto Cordero, disse que o controle de capitais deve ser usado somente em último caso. "Ainda bem que somente alguns poucos países estão considerando essas medidas", disse.

FMI

O FMI deve recomendar políticas nacionais que impulsionem fluxos excessivos de capital em outras economias, assim como políticas que busquem conter esses fluxos, disse hoje o comitê financeiro do fundo.

"Levando em consideração as circunstâncias específicas de cada país e os benefícios da integração financeira, essa estratégia deve englobar recomendações para ambas as políticas que aumentem os fluxos de capital e o gerenciamento desses fluxos", disse o painel de países-membros do FMI em comunicado.

O Comitê Financeiro Monetário Internacional, grupo de autoridades financeiras de todo o mundo, disse que a economia global está se fortalecendo, mas que políticas precisam ser adotadas dados os "riscos significativos" que ameaçam a recuperação.

"São necessárias ações críveis para acelerar os progressos para fazer frente aos desafios à estabilidade financeira e à sustentabilidade da dívida soberana, e para garantir que a consolidação fiscal ocorra a tempo nas economias avançadas", disse o grupo.

O comunicado acrescentou que são necessárias medidas para evitar um superaquecimento inflacionário nas economias dos mercados emergentes e para lidar com os riscos criados com a alta nos preços das commodities.

O comitê do FMI também pediu a intensificação dos trabalhos para a ampliação de uma cesta de moedas que compõem os ativos de reserva da entidade, conhecidos como SDR (Special Drawing Rights).

As principais economias do mundo têm trabalhado em um plano para incluir a moeda chinesa, o iuan, na cesta do SDR. O progresso neste sentido, no entanto, tem sido lento, em parte por conta da política chinesa de estrito controle sobre o iuan. As moedas que compõem o SDR devem ser de livre flutuação.

PIB

Ontem, Mantega afirmou que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu cerca de 4%, em bases anualizadas, no primeiro trimestre de 2011.

"A economia já está desacelerando. No primeiro trimestre, eu acredito que será algo como quatro, quatro e pouco por cento anualizado. Significa que [a economia] já se ajustou a um ritmo de crescimento adequado, que é aquele que nós pretendemos alcançar ao longo do ano", disse.

A declaração vem dias antes da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide na próxima quarta-feira o rumo da Selic, hoje em 11,75%.

A expectativa de analistas é de uma nova alta de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.

Segundo o ministro, o preço da gasolina não vai subir neste mês, mas o assunto pode ser revisto, caso persistam os aumentos do petróleo no mercado internacional.

Saindo de uma reunião com representantes do G20, na qual foram discutidos mecanismos para corrigir desequilíbrios globais, Mantega afirmou que o Brasil é um dos poucos países do mundo que vai ficar com deficit nominal abaixo de 2% em 2011.

O G20 entrou em acordo nesta sexta-feira sobre uma maneira de mensurar riscos potenciais à economia global provocados por políticas econômicas nacionais, como parte de um plano para evitar nova crise econômica global como a observada em 2007-2009.

Mantega disse ter proposto no encontro a homogeinização do sistema cambial, de modo que todos passassem a adotar o câmbio flutuante.

"É claro que não precisa ser puro. Você pode estabelecer limites de flutuação diária. Provavelmente, teria que tomar menos medidas de controle de capitais."

A proposta implicaria que a China também teria que adotar o câmbio flutuante. De acordo com Mantega, os representantes chineses não esboçaram uma reação negativa à proposta, o que ele considerou positivo.

Outra proposta brasileira ao G20 foi a adoção de mais medidas macroprudenciais para combater o excesso de liquidez.

"Nos opomos a qualquer diretriz, estruturas ou 'códigos de conduta' que tentem conter, diretamente ou indiretamente, as políticas adotados pelos países que enfrentam altas nos fluxos de capital volátil", disse.

A resistência aos limites nos controles de capital, tema sensível para economias inundadas por fluxos de recursos inflacionários de países com baixas taxas de juros, como os Estados Unidos, é ampla entre os líderes financeiros de mercados emergentes durante uma reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) neste fim de semana em Washington.

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