REVOLTA

Manifestantes jogam sapato e moedas contra vereadores

Manifestantes jogam sapato e moedas contra vereadores
10/09/2010 07:06 -


Fábio Dorta, de Dourados

Terminou em confusão a tentativa da Câmara Municipal de Dourados de realizar, na manhã de ontem, a primeira sessão ordinária depois da prisão de nove dos 12 vereadores por denúncias de corrupção na Operação Uragano da Polícia Federal. Quando o vereador Aurélio Bonatto (PDT), que presidia a sessão, tentou dar início aos trabalhos, o auxiliar administrativo Adaílton Castro de Souza invadiu o plenário e atirou um sapato que atingiu o rosto de Bonatto. No mesmo momento, várias moedas foram atiradas em direção ao plenário. Adaílton ainda tentou agredir fisicamente o vereador, mas foi dominado por um segurança da própria Câmara e por policiais militares, colocado em um camburão da PM e depois levado para o 1º Distrito Policial.

“Eu estou aqui no camburão, mas eles (os vereadores) é que deveriam estar presos. Eu sou um pai de família honesto”, afirmou Adaílton, antes de ser levado para o 1º DP. Ele disse que decidiu agredir Bonatto porque, enquanto os políticos roubam dinheiro, ele não consegue nem mesmo uma consulta para a filha, com problemas de saúde, em um posto de saúde.

Em dezembro de 2008, o jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi agrediu o presidente dos Estados Unidos da América, George Bush, com uma sapatada e ficou famoso no mundo inteiro. Aos olhos dos muçulmanos, uma sapatada é considerada uma grande ofensa.
Bonatto foi um dos vereadores presos durante a operação, mas está em liberdade desde a última sexta-feira, quando seus advogados conseguiram habeas corpus. Ele iria presidir a sessão porque é segundo-secretário da Mesa Diretora. O presidente Sidlei Alves (DEM) e o primeiro-secretário Humberto Teixeira Júnior (PDT) permanecem presos. O vereador Zezinho da Farmácia (PSDB), que também continua preso, renunciou ao cargo de vice-presidente da Câmara.

Com a confusão, os vereadores se retiraram e foram para a sala de reuniões, que fica no segundo andar do prédio onde empossaram o suplente Aparecido Medeiros (DEM), que assumiu o lugar de Idenor Machado, nomeado Secretário Municipal de Educação pelo prefeito interino, o juiz Eduardo Machado Rocha. Depois de empossar Medeiros, os vereadores suspenderam a sessão, alegando falta de segurança.

Protesto


A Polícia Militar teve muito trabalho para garantir a segurança. Além da galeria lotada com a presença de cerca de 300 pessoas, centenas de manifestantes com faixas e cartazes também se postaram nas portas da frente e dos fundos do prédio da Câmara. Quando Bonatto tentou iniciar a sessão, várias moedas foram atiradas em direção ao plenário.

Além de Bonatto, outro vereador preso compareceu à sessão, Júlio Artuzi (PRB). Também em liberdade, Marcelo Barros (DEM) e José Carlos Cimatti (PSB) não foram à Câmara. O suplente Cemar Arnal (sem partido), que também poderia tomar posse por causa dos pedidos de licença de Marcelo Hall (PR) e Edivaldo Moreira (PDT), não apareceu na sessão e, por isso, ainda não foi empossado.
smaple image

Fique por dentro

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo, direto no seu e-mail.

Quero Receber

Felpuda


Princípio de "rebelião" política no interior de MS, fomentada por grupo interessado em tomar o poder, não prosperou. Quem deveria assumir o "comando da refrega", descobriu que, além da matemática ser ciência exata, há "prova dos nove". Explica-se: é segunda suplente, pois não conseguiu votos necessários nas últimas eleições, mas assumiu o cargo porque a titular licenciou-se, assim como o primeiro suplente. Caso contrarie a cúpula, seria aplicada a tal prova e, assim, "noves fora, nada".