Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

frigoríficos de MS

Mais um frigorífico do Estado dá férias coletivas por falta de bois

2 NOV 2010Por 02h:07

Os trabalhadores dos frigoríficos de Mato Grosso do Sul começam a receber férias coletivas, por conta da escassez de gado para abate. Ontem, o frigorífico Mataboi, de Três Lagoas, dispensou os mais de 250 trabalhadores, até o dia 20. A planta tem capacidade de abater entre oito a dez mil cabeças/mês e hoje não ultrapassa cinco mil, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins Campo Grande, Três Lagoas e Região, Rinaldo Salomão.

 

 

De acordo com o sindicalista, os produtores de Mato Grosso do Sul estão segurando boi no pasto para pressionar o preço da arroba, que já passou de R$ 100. "Não temos dúvidas de que é pura especulação dos pecuaristas para conseguir preço maior para a arroba", comentou.

 

Salomão sugere a intervenção do Governo do Estado para regular o mercado de carne, como por exemplo, trazer o produto do Paraguai. "O Brasil já ajuda aquele país vizinho fornecendo boa parte das vacinas contra febre aftosa, sem ter retorno algum a não ser a sanidade animal na faixa de fronteira. É preciso avançar mais e num momento como este, de desequilíbrio de estoque, podemos perfeitamente recorrer ao plantel paraguaio para o abastecimento interno do Brasil e também para cumprirmos acordos internacionais".

Em todo o Estado, a maioria dos frigoríficos de porte médio está abatendo, no máximo, quatro dias por semana, de acordo com Salomão. "Tem planta com capacidade para abater dois mil animais por dia e hoje não chega a 800 cabeças", comenta.

Outro indício de que os pecuaristas estão segurando o gado no pasto, de acordo com ele, diz respeito ao fato de que somente este ano foram contratados mais de dois mil empregados para empresas de fabricação de ração animal, principalmente para gado. "São dezenas de empresas especializadas na fabricação de alimentos para o gado na seca. Então, não é verdade que gado passa fome em Mato Grosso do Sul e que por isso não tem oferta para abate", critica.

Em outubro, foi a vez do Marfrig, em Porto Murtinho, conceder férias coletivas aos cerca de 500 funcionários. (VH)

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