Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

Perdas

Má regulagem da máquinas afeta produção

20 SET 2010Por Cícero Faria Dourados 10h:39

Quando o agricultor observa uma queda na produtividade da sua lavoura de soja ou de milho, em geral por problemas climáticos como a seca ou excesso de chuva, a gritaria é certa, lamenta que a natureza conspirou contra o seu lucro  no final da safra. Mas alem das intempéries, outro fator que “rouba” o rendimento é a má regulagem  da colhedora e durante o transporte para o armazém.
Assim como os caminhões velhos, com carrocerias mal conservadas contribuem para as perdas no transporte de grãos, a maquina de colher, mesmo dos modelos mais modernos, reduz a produção, já que pesquisadores da Embrapa Soja, de Londrina (PR),  estimam que são perdidas, em média no país, duas sacas de soja por hectare durante a colheita.
As lavouras que apresentarem desnível no solo, presença de plantas daninhas, maturação desuniforme, acamamento, baixa inserção de vagens devem ter os cuidados redobrados, segundo pesquisadores da Embrapa.
Levando em conta esse percentual consagrado pelos órgãos técnicos de calculo de perdas na colheita, no caso de Mato Grosso do Sul, os agricultores perderam cerca de 3,4 milhões de saca de soja nesta safra, por má regulagem das colhedoras. A área plantada no ciclo 2009/2010 foi de 1,7 milhão de hectares no Estado.
E a conta do prejuízo não seria pequeno, considerando o preço atual  da oleaginosa de R$ 38: em torno de R$ 129,2 milhões que deixaram de entrar no bolso dos produtores. À época da colheita da safra deste ano, com a soja a R$ 28,50, o prejuízo também seria grande, aproximadamente  R$ 97 milhões.  
Na ultima safra, a região de Dourados cultivou pouco mais de um milhão de hectares de soja, projetando, portanto,  uma perda de mais de dois milhões de sacas no processo da colheita. Grãos que ficaram no solo servindo de alimento para animais silvestres e criando problema para o comprimento do vazio sanitário de controle da ferrugem asiatica, a partir de julho,  quando a soja tigüera deve ser eliminada.
Junto com problemas da colhedora ou pouca qualificação do operador da maquina, o transporte das lavouras até as cooperativas e cerealistas contribui para aumentar as perdas do produtor de grãos. Em geral, os caminhões que circulam pelas estradas vicinais e rodovias estaduais, saindo das propriedades agricolas, são muito antigos e com pouca conservação.
Por isso, é comum a observação de acumulo de grãos – nesta época de milho safrinha, pelas rodovias e nos acostamentos. O desperdício se da por causa de carrocerias mal vedadas e, pelas frestas, o produto vai caindo ao longo da viagem até o armazém pelo chacoalhar constante.  

Problemas
Pesquisa da Embrapa Soja identificou que a má regulagem das colhedoras nos mecanismos de corte e trilha, a velocidade incorreta da máquina, a falta de treinamentos dos operadores e o manejo  inadequado das lavouras de soja são os principais fatores que causam as perdas durante a colheita.
Os trabalhos conduzidos pela Embrapa indicam que mais de 80% das perdas na colheita de soja são atribuídas ao mau funcionamento da plataforma de corte  e velocidade inadequada com relação a velocidade do molinete. “O ideal é que a barra de corte trabalhe o mais próximo possível do solo, visando deixar o mínimo de vagens presas nos restos da cultura que permanecem na lavoura”, explicaram  os pesquisadores da Embrapa Soja, José de Barros França Neto e Francisco Krzyzanowski.
A velocidade de deslocamento da colhedora  deve ser sincronizada com a velocidade das lâminas e do molinete, porém, devem ser considerados os casos, individualmente. Também prejudicam a colheita, a falta de ajustes dos mecanismos internos da colhedora e a debulha natural das vagens de soja.

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