Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

AGRONEGÓCIO

Má distribuição atinge 20% dos armazéns

2 NOV 2010Por Edivaldo Bitencourt e Adriana Molina00h:30

Mato Grosso do Sul tem unidades com capacidade para armazenar a próxima safra de grãos, em torno de 8,8 milhões de toneladas, mas em torno de 20% estão instalados fora das regiões produtoras. Há armazém subutilizado e até silo, apesar de ter sido inaugurado há mais de 10 anos, que nunca recebeu um carregamento de soja, milho, algodão ou trigo porque fica numa região com tradição pecuária.

O Estado, segundo o Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), tem 875 armazéns com capacidade para 7,801 milhões de toneladas de grãos. Os 681 silos possuem condições de receber 7,163 milhões de toneladas para estoque a granel. Já outros 194 armazéns (22%) estão aptos para guardar 638,5 mil toneladas de grãos ensacados.

“A capacidade de armazenamento hoje, com exceção de alguns municípios, consegue atender a demanda, principalmente para o milho”, garante o superintendente regional da Conab, Antônio Benedito Dotta. Ele não destaca em quais cidades a demanda de grãos supera a oferta de locais para armazenamento. De acordo com o órgão, as cidades com maior concentração de silos e armazéns convencionais são Dourados, Ponta Porã, Chapadão do Sul, São Gabriel do Oeste, Maracaju e Sidrolândia.

Falta
O problema foi a falta de planejamento na construção dos armazéns pelo Governo. “Parte está em locais com pouca demanda”, observa o assessor econômico para assuntos de agricultura da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Lucas Galvan. Ele estima que os armazéns em condições de uso possuem capacidade para 6 milhões de toneladas de grãos (76,9%).

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), Almir Dalpasquale, o principal problema é a má distribuição das unidades armazenadoras. Ele cita, como exemplo, a unidade de Pedro Gomes, com capacidade para 22 mil toneladas, mas que estaria fechado desde a construção, há cerca de 10 anos.

Tecnologia
Galvan também cita a falta de investimentos em alguns armazéns, que estariam obsoletos e sem manutenção. Nesta situação, ele aponta os depósitos de Camapuã e Bataguassu, regiões com tradição pecuária, que não modernizaram as instalações para acompanhar o dinanismo da agricultura. “Em épocas de colheita, há filas de espera nesses locais (com armazenadoras obsoletas)”, conta o assessor econômico.

O presidente do Sindicato Rural de São Gabriel do Oeste, Júlio César Bortolini, endossa as críticas. Ele conta que o armazén da Conab no município é muito antigo e está praticamente inoperante. “Não houve modernização”, frisa.

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