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Lula fará campanha sem deixar o cargo

30 JUL 10 - 08h:17
Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que tem obrigação de participar da campanha política deste ano, mas negou que vá se licenciar do cargo para ajudar sua candidata, a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), a ganhar a eleição. As manifestações foram feitas em dois momentos diferentes da múltipla agenda que o presidente cumpriu ontem no Rio Grande do Sul, com atos institucionais durante o dia e com comício previsto para a noite, no ginásio Gigantinho, ao lado de Dilma e de Tarso Genro, candidato do PT ao Governo do Estado.
O Rio Grande do Sul é um dos estados em que José Serra (PSDB) lidera a corrida presidencial (o outro é Mato Grosso do Sul), com 46% das intenções de voto, enquanto o índice de Dilma é de 33% e o de Marina Silva (PV) é de 8%, segundo pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal “Zero Hora” de 25 de julho.
A primeira manifestação de Lula sobre a campanha eleitoral foi em discurso ao final de uma solenidade na Usina do Gasômetro, na região central de Porto Alegre, na qual foram liberados financiamentos para obras da Copa do Mundo em Porto Alegre e para obras de infraestrutura em cidades gaúchas.
“Tem gente que quer me tirar da campanha, tem gente que não quer que eu participe, eu acho que tenho obrigação de participar, vou escolher quem vai ser meu candidato, minha candidata, e aí eu direi para vocês um dia”, ressaltou Lula, ao final do discurso de 34 minutos, para cerca de 900 pessoas.
Pouco depois, ao descerrar a placa comemorativa ao início das obras de reforma do estádio Beira-Rio para a Copa de 2014, no Brasil, Lula voltou ao assunto. Ele negou a hipótese de uma licença para participar da campanha. “Não seria justo você ser presidente da República e se licenciar para disputar uma campanha eleitoral; o presidente precisa governar até 31 de dezembro e ainda agir como se fosse até as 10 horas (do dia 1º de janeiro), quando quem for eleito for homologado pelo Congresso”, justificou. “Aí, sim, estarei de licença para outras campanhas”, ressaltou.

Reforma política
Lula tocou ainda no tema da reforma política. “Eu vou ser um leão para que o meu partido assuma a responsabilidade de, junto com outros, fazer uma reforma política para que a gente possa ter as coisas mais visíveis”, adiantou. “Porque não é da responsabilidade do presidente fazer a reforma política, é de responsabilidade dos parlamentares e que, portanto, nós temos de priorizar”.
Além de reclamar de “uma cultura” que teria dificultado a reforma política até agora, Lula também voltou a se queixar das dificuldades para iniciar obras por conta de licenciamentos ambientais. O presidente lembrou que alguns investimentos já ficaram paralisados para estudos de pererecas e machados indígenas, mas não quis culpar os funcionários que colocam objeções ao andamento das obras. “Nós temos que fazer as leis com mais responsabilidade”, propôs.
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