sexta, 20 de julho de 2018

Lula e Cristina Kirchner mudaram conceitos econômicos, avalia ministra argentina

16 NOV 2010Por AGÊNCIA BRASIL13h:22

As economias do Brasil e da Argentina vivem um momento histórico, marcado por um crescimento entre 7% a 9%, pela queda na taxa de desemprego e redução da pobreza e da indigência. Além disso, os dois países têm consumo vigoroso, acumularam reservas internacionais e são vistos pelo mundo como uma região propícia a receber investimentos.

O balanço foi feito ontem (15) pela ministra argentina da Indústria, Débora Giorgi, durante encontro que reuniu, na embaixada brasileira em Buenos Aires, empresários dos dois países para a troca de experiência e análises sobre a atual perspectiva de investimentos bilaterais.

A ministra acredita que o bom momento vivido pelos dois países não é uma casualidade, mas resultado de mudanças de conceitos econômicos promovidas pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Cristina Kirchner. Débora Giorgi disse que essas mudanças envolveram a radical alteração da cultura da especulação financeira e a definição da integração produtiva das economias brasileira e argentina como prioridade. Essa visão, segundo a ministra, permitiu que a relação bilateral buscasse um projeto que incentivasse a produção e o trabalho, na busca da inclusão social e da igualdade das oportunidades.

Ela lembrou-se de encontro entre Lula e Cristina ocorrido logo no início da pior crise financeira vivida pelo mundo nos últimos 80 anos. “O mundo estava caindo aos pedaços, havia corte de investimentos e a queda do comércio estava afetando as economias do Brasil e da Argentina”, destacou Débora Giorgi.

Segundo a ministra, Lula e Cristina Kirchner buscaram uma estratégia para ser aplicada dentro de seus respectivos países que mantivesse os mercados internos “tonificados” e voltasse a dinamizar o comércio. Débora Giorgi ressaltou que, naquele momento de crise, Lula lembrou à Cristina Kirchner visita que tinha feito a uma pequena fábrica do Nordeste. Os operários informaram ao presidente que devido ao medo de perder o emprego não estavam mais gastando dinheiro em compras.

De acordo com a ministra, Lula “respondeu aos operários que, se eles continuassem sem consumir, esse seria um caminho para o desemprego”. “Claramente, nessa definição, o presidente Lula captava o que havia sido posto em marcha na Argentina para atravessar a crise financeira de forma privilegiada. Ou seja, ver em cada trabalhador um consumidor em potencial, que permitiria a manutenção das fábricas e o comércio aberto, mantendo um aparato produtivo em funcionamento mesmo naquele contexto internacional adverso”, acrescentou.

Hoje, segundo a ministra argentina da Indústria, o Brasil e a Argentina têm um fluxo de comércio que, neste ano, estará entre US$ 33 bilhões e US$ 34 bilhões. “Bateremos o recorde registrado em 2008, de US$ 31 bilhões, mas com algo muito interessante: 80% do comércio são feitos entre as nossas indústrias. O resultado disso é uma boa performance dos investimentos brasileiros na Argentina. Para o biênio 2009-1010, os anúncios de investimentos de empresas brasileiras chegam a US$ 5 bilhões.”

Débora Giorgi afirmou que a integração produtiva entre o Brasil e a Argentina significa, também, aproveitar os benefícios do comércio bilateral proporcionado pela união aduaneira do Mercosul. “Isso poderá compensar as contas pendentes que ainda temos na distribuição dos benefícios que uma mesma união aduaneira implica”, disse. “Hoje, estamos preparados para a livre circulação de bens, a eliminação da dupla cobrança de impostos e o código aduaneiro do Mercosul, benefícios que levamos muitos anos para alcançar”.

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