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Tecnologia

Locadoras de filmes buscam alternativas para sair da crise

29 ABR 2011Por IG23h:00

Locadoras de filmes vazias e com muitos dvs nas prateleiras já fazem parte da realidade desse segmento em todo o mundo. As dificuldades do setor atingem empresas como a Blockbuster, antiga líder mundial no segmento, que chegou a valer mais de US$ 5 bilhões (R$ 7,95 bilhões) e acabou vendida por US$ 320 milhões (R$ 508,51 milhões). A história com desfecho pouco animador, que alcançou terras brasileiras, obrigou as locadoras a buscar alternativas, como a oferta de filmes em Blu-Ray e games para jogar online. A estratégia, no entanto, nem sempre apresenta resultados positivos.

Apesar da promessa de alta definição, o Blu-Ray - que entrou no mercado brasileiro em 2009 - ainda não conquistou muitos adeptos. Com preços elevados, os aparelhos estão acessíveis apenas nas classes A e B. Segundo pesquisas da consultoria GfK Retail and Technology Brasil, em 2010 foram vendidas cerca de 159 mil aparelhos Blu-Ray - um aumento de 65,6% em relação ao ano anterior. Entretanto, é um mercado ainda pequeno se comparado ao do DVD que, no mesmo período, alcançou mais de 3,9 milhões de unidades vendidas em todo o País.

"O filme em alta definição é uma esperança muito grande para as videolocadoras. Neste modelo de gravação não existe pirataria, já que o custo da mídia virgem é elevado. Apesar disso, o segmento ainda não se recuperou”, afirma Luciano Tadeu Damiani, presidente do Sindicato das Videolocadoras do Estado de São Paulo (Sindemvídeo).

A dificuldade para impulsionar o mercado de filmes em Blu-Ray e aumentar as vendas dos aparelhos também é sentida pelos fabricantes. Em 2010, a Sony registrou vendas de 110 mil players deste modelo de gravação, contra 400 mil de DVD. “O Blu-Ray que produzimos ainda tem o foco nas classes altas, isso faz com que a expectativa de vendas para este ano seja muito parecida com a de 2010”, diz Renata Batista, gerente de produtos de homevideo da fabricante.

Faturamento em queda

A incerteza da procura de clientes da classe C por filmes em alta definição gera dúvidas nos proprietários de locadoras quanto à validade do investimento. Paula Carvalho, dona de uma loja da rede 100% Vídeo, comprou filmes gravados em Blu-Ray, mas vê seu faturamento - que em 2010 foi de R$ 160 mil - cair 30% ao ano. “A expectativa para 2011 é que meus ganhos permaneçam iguais. Não quero sair do mercado de locação. Investi no Blu-Ray porque acreditava que os clientes iriam procurar, mas isso não ocorreu”, afirma a empresária. “Hoje, esta locação responde por menos de 10% dos aluguéis, já que o preço do aparelho não caiu como esperado.”

Além da locadora, aberta em 2005, Paula também possui franquias da Casa do Pão de Queijo e da Livraria Nobel. Diante da nova realidade, ela reduziu a área para locação e apostou em outros produtos para compensar a queda no faturamento, já que a loja é responsável por apenas 20% do lucro total dos três empreendimentos. “Como os clientes sumiram, tive de reduzir o espaço da locadora, investir em conveniência e nos produtos das outras franquias. Se dependesse somente dos aluguéis de filmes, já teria fechado”, diz.

Com dificuldades semelhantes as da empresária, Daniel de Oliveira Silva também é proprietário de uma locadora 100% Vídeo e não enxerga muitas perspectivas no horizonte futuro. "O mercado de aluguel de filmes nas locadoras está sofrendo com a pirataria e as facilidades da locação na internet. Há muita concorrência", afirma. Uma das alternativas usada pelo empresário para atrair mais clientes foi disponibilizar filmes em Blu-Ray. "A nova opção está trazendo muitos clientes de volta. Acho que a procura irá aumentar assim que o aparelho tiver um preço mais acessível", diz Silva.

Locação de games

De acordo com pesquisas do Sindemvídeo, entre 2004 e 2005, havia 4,8 mil videolocadoras em atividade no estado paulista. Em 2010, entretanto, esse número baixou para 1,8 mil lojas. Diante desse quadro, muitos empreendedores apostaram também na locação de jogos como forma de recuperar o fôlego.

“Nos últimos seis meses começamos a oferecer o aluguel de games. Entretanto, adquirí-los é muito caro neste mercado instável. Começamos a investir com cautela, já que os mais jovens não são nossos clientes”, afirma Paula.

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