Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Campo Grande - MS, quarta, 17 de outubro de 2018

Livre para reincidir

6 MAI 2010Por 06h:40
Cassações de diploma de médico em Mato Grosso do Sul certamente é possível contar nos dedos das mãos, de tão raras que são. Punições semelhantes à imposta ao ginecologista da rede municipal de saúde acusado de abusar de pacientes são tão atípicas quanto as penas mais severas. E certamente não é só entre médicos que existe o famoso corporativismo. Então, quando excepcionalmente alguém é punido é sinal de que as evidências realmente são muito fortes, mais pesadas até mesmo que a "natural" tendência de proteger colegas de profissão, o que geralmente acontece  para não macular a imagem dos próprios julgadores.

    Sob este raciocínio é possível concluir que o Conselho Regional de Medicina apurou com profundidade de detalhes as acusações que pesam contra o médico Wilson Roberto Carlos Farias antes de suspendê-lo por 30 dias, o que não passa de um castigo insignificante, pois depois disso volta a estar livre para possivelmente fazer mais vítimas. Apesar disso, uma decisão da Justiça Federal em Campo Grande mandou suspender até mesmo este pequeno castigo. É evidente que qualquer cidadão tem direito a ampla e irrestrita defesa. Está claro, também, que o fato de o Conselho de Medicina ter punido o profissional não significa que, eventualmente, o Judiciário não possa opinar sobre o assunto. Porém, aos olhos do "cidadão comum", ou das pacientes desse profissional, é mais do que estranho que um juiz possa desfazer aquilo que a duras penas os próprios colegas deste médico descobriram após tomar depoimento das mulheres que disseram ter sido abusadas. Quer dizer, se o Conselho disse que durante um mês ele deveria ficar longe dos consultórios e que depois disso poderia voltar a fazer o que fazia antes, o juiz que concedeu a sentença suspendendo o castigo deixou claro que ele nem mesmo deve ser castigado, embora, na prática, o simples fato de as informações sobre o profissional ter vindo a público já seja punição bastante exemplar. Porém, a médio prazo as notícias cairão no esquecimento e o profissional ficará com a "ficha limpa", o que dificultará uma possível punição, ou demissão, por parte da prefeitura da Capital.

    Por outro lado, se eventualmente a Justiça constatou que o profissional foi injustiçado pelo Conselho e por isso anulou a suspensão por 30 dias, então medidas severas precisam ser adotadas para tentar reparar, pelo menos em parte, os danos causados a este profissional em decorrência dos "castigos" aplicados a ele. Pois, se um foi punido indevidamente, o mesmo pode acontecer com outros.

    No "mundo do futebol", se um clube ou jogador resolver apelar à Justiça comum em meio a alguma disputa, existe a possibilidade, inclusive, de ser banido do esporte profissional. Ou seja, praticamente todos se submetem às regras deste jogo e até os "juízes comuns" recusam-se a entrar na "seara alheia". Guardadas as devidas proporções e as incompatibilidades de qualquer comparação, em determinadas decisões corporativas deveria acontecer algo parecido, pois certamente médicos têm condições mais do que adequadas para julgar colegas de profissão.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também