Campo Grande - MS, terça, 14 de agosto de 2018

'ATÉ O FIM'

Líbia está pronta para mudanças, mas com Kadafi no poder

5 ABR 2011Por ESTADÃO00h:00

O governo da Líbia se diz pronto para promover eleições e reformar seu sistema político em meio às pressões populares contra o ditador Muamar Kadafi, mas só realizará essas mudanças se o coronel permanecer como líder do país africano, informou ontem (4) um porta-voz de Trípoli.

"Podemos ter qualquer sistema político, qualquer mudança: constituição, eleição, qualquer coisa, mas nosso líder tem que estar à frente deste avanço. Essa é nossa crença", disse Mussa Ibrahim, o porta-voz, questionado sobre as possíveis negociações em curso com o Ocidente.

"Quem são vocês para decidir o que os líbios deveriam fazer? Porque as potências ocidentais não dizem para o povo líbio decidir se o líder deve sair ou ficar, para decidir se é preciso um sistema político diferente ou não?", continuou o porta-voz. "Ninguém pode vir aqui e dizer que precisamos perder nosso líder, ou nosso sistema, ou nosso regime? Quem são vocês para dizer isso?", completou.

Ibrahim afirmou que seu país não aceitaria nenhuma condição imposta por outros governos. "Não decidam nosso futuro por fora, proponham mudanças que partam de dentro", disse.

O porta-voz ainda lembrou que Kadafi não ocupa um posto oficial para renunciar, como pedem EUA, ONU, França e outros países e entidades, a quem acusou de tentar derrubar o coronel "por interesses próprios e por ganhos econômicos". Ele também negou os ataques das forças do governo contra civis e afirmou que as autoridades líbias "não são monstros".

Aparição

Também nesta quarta, Kadafi, que enfrenta uma revolta popular para derrubá-lo há mais de um mês, fez sua primeira aparição pública em duas semanas, segundo imagens divulgadas pela emissora estatal da Líbia. O ditador apareceu para dezenas de apoiadores em seu complexo de Bab El Aziziya e fez o sinal da vitória com as mãos.

O coronel também enfrenta pressões internacionais para deixar o governo. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está à frente das operações aprovadas pela ONU para que seja assegurada uma zona de exclusão aérea e um embargo de armas sobre a Líbia. A missão também visa a proteção dos civis.


 

Leia Também