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Lei Antifumo começa a vigorar amanhã

29 MAR 10 - 10h:09
Acender um cigarro e tragar pode ser um hábito prazeroso para muitos, mas também existe um grande número de fumantes para os quais a dependência se tornou um problema sério. Seja por motivos de saúde ou sociais, o cigarro converte-se em empecilho na vida destas pessoas. A partir do dia 30 de março, todos os fumantes da Capital terão de se adaptar às novas regras previstas pela Lei Antifumo, sancionada em janeiro pelo prefeito Nelson Trad. Contudo, a força do vício é muito grande para que seja abandonado de uma hora para outra. Cigarros, cigarrilhas e charutos serão banidos dos espaços coletivos, como lanchonetes, boates, restaurantes, supermercados, padarias, praças de alimentação, ambientes de trabalho, estudo, casas de espetáculos, áreas comuns de condomínios, transporte coletivo, viaturas e táxis. Para o médico pneumologista Roni Marques, a proibição pode funcionar como um estímulo para as pessoas procurarem ajuda para abandonar o tabagismo. Contudo, o especialista alerta para as dificuldades provenientes de se livrar do hábito. “A pessoa tenta parar, mas não consegue. Por isso acredita que não tem força de vontade e fica desmotivada”, afirma Roni, que atende diariamente pessoas que desejam parar de fumar. Ele explica que o vício em nicotina cria dependência química e por isso é tão difícil abandoná-lo. “Existe uma predisposição genética para isso e a melhor forma de curá-la é por meio de duas drogas. A bupropiona e a vareniclina são as mais eficazes, mas devem ser acompanhadas de tratamento médico”, detalha. Roni foi fumante durante 40 anos. Mesmo atuando como pneumologista e conhecendo todos os estragos que o cigarro poderia causar, não conseguia parar de fumar. Após realizar tratamento com a bupropiona, ele cortou o vício em duas semanas. “Estou sem fumar há oito anos”, alega. Considerando-se um viciado pesado, que acordava durante a madrugada para fumar, ele assegura que as drogas acabaram com dependência. “Os dois compostos agem diretamente no cérebro, bloqueando os receptores que se estimulam com a nicotina. Se a predisposição é genética, este é o melhor método de tratamento”, defende Roni. Mas os fumantes podem ser separados em dois grupos. Há aqueles que fumam por condição genética e há também os dependentes comportamentais ou psicológicos. “Nesse caso, não é a nicotina que provoca o vício, mas uma dependência mental daquele hábito. Esses casos dispensam as drogas e podem ser tratados de forma psicológica”, esclarece. Dependentes químicos podem se tornar dependentes psicológicos. “É necessário se levar em conta ambas situações e tratá-las de modo correto”, salienta o médico. Segundo Roni, o Ministério da Saúde preconiza que o tratamento psicológico seja realizado antes da administração de qualquer substância. “Mas, infelizmente, nos casos genéticos, a psicologia não vai bloquear os estímulos cerebrais em busca da nicotina e isso pode provocar recaídas em algum momento”, observa. Psicologia Stanley Augusto Bessa é psicólogo e atua junto ao Centro de Vida Saudável (CVS), no Hospital Adventista do Pênfigo. Ele explica que a dependência emocional criada pelo cigarro tem um significado único para cada pessoa. “Trabalhamos sempre em cima disso e tentamos fazer com que o paciente entenda que ele pode viver sem o cigarro. Caso não se convença disso, qualquer abalo emocional pode fazer com que a pessoa volte a fumar”, frisa. Para o psicólogo, o hábito de fumar é uma forma que o paciente encontra para se manter “firme” diante de qualquer trauma ou sofrimento. “Ele encontra alívio no fumo, porém, as substâncias presentes na fumaça são altamente tóxicas e, em algum momento, a pessoa vai ter problemas de saúde”, aponta. Contudo, não se pode obrigar ninguém a parar de fumar. Como ressalta Stanley, querer é o primeiro passo de qualquer tratamento. Ao decidir deixar o cigarro, as pessoas precisam encarar aquilo que elas tentam esconder ou procuram não lidar. “Se não lidarmos com isso, ela pode deixar o cigarro, mas vai encontrar alívio no álcool ou em qualquer outra substância”, acredita Stanley. Para ele, a melhor forma de deixar o cigarro é procurando ajuda profissional, em hospitais ou centros especializados.
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