domingo, 22 de julho de 2018

Conservação

Ladário cria APA Baía Negra

1 NOV 2010Por Sílvio Andrade07h:00

 

Depois de sediar no passado um projeto mirabolante de se criar um polder experimental agrícola dentro do Pantanal, abandonado pelo governo, a localidade conhecida como Codrasa, no município de Ladário, vizinho a Corumbá, torna-se a primeira reserva de uso sustentável da planície. Um novo conceito preservacionista onde se garante a sobrevivência da comunidade tradicional.
A Prefeitura de Ladário transformou a Codrasa em APA (Área de Proteção Ambiental), denominada Baía Negra – nome de uma majestosa lagoa situada no seu eixo central – , em acordo com o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O local será um parque ecológico para visitação e pesquisa científica, com exploração da pesca e agricultura monitorada.
As terras formam um ambiente único de riqueza ecológica, arqueológica e paisagística, entre o Rio Paraguai e a morraria das reservas minerais de Urucum. São 5.954 hectares considerados um tesouro natural, reunindo todas as características de fauna e flora do Pantanal ao lado de centros urbanos ainda deficientes de infraestrutura básica, como rede de esgoto e aterro sanitário.
 
Obra visionária
 
Codrasa era o nome de uma construtora contratada pelo governo, nos anos 70, para abrir uma estrada com aterro margeando o Rio Paraguai, onde seriam instaladas comportas para controlar a vazão de água para atender um cinturão verde. A estrada de 9 km gerou impacto ambiental, ao impedir a passagem natural da água que alimenta os campos, e incentivou a ocupação desordenada.
O aterro ligando Ladário ao Rabicho, hoje um centro de treinamento da Marinha, também alimentaria outro projeto inacabado: a integração com a rodovia Transpantaneira, que saiu de Poconé (MT) e foi interrompida na beira do Rio Cuiabá, afluente do Paraguai, depois da catastrófica cheia de 74 na planície. Na época, o governo pretendia abrir uma estrada unindo os pantanais do Sul e Norte.
 
Ação do MPF
 
Ribeirinhos passaram a ocupar a área da União, fixando-se as margens do rio e da estrada. Contudo, a partir dos anos 80 surgiram empreendimentos turísticos e clubes de lazer com a comercialização ilegal de terrenos por funcionários da SPU, denunciados em 2009 pelo MPF. Houve degradação ambiental e hoje os alagados, represados pelo aterro, estão contaminados por agrotóxico.
O MPF decidiu intervir e interpelou os ocupantes, em abril do ano passado, quando instaurou um inquérito para apurar a responsabilidade pela venda dos lotes, a especulação imobiliária por pessoas que se julgam donas das terras e a presença dos sitiantes e pousadas. A presença do MPF gerou reação dos moradores – entre 90 e 100 famílias –, que alegam ter documento de posse do SPU.

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