Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

DESPEDIDA

Kirchner será enterrado hoje no sul da Argentina

29 OUT 2010Por BUENOS AIRES02h:20

O corpo do ex-presidente argentino Néstor Kirchner será velado até as 10h locais (11h de Brasília) desta sexta-feira e, em seguida, será transportado para a sua cidade natal, em Río Gallegos (2,8 mil km ao sul de Buenos Aires), onde será sepultado, em uma cerimônia privada, informou o governo ontem. O corpo do ex-presidente argentino chegou na manhã de ontem à Buenos Aires. O caixão chegou em um avião no aeroporto Jorge Newbery, após duas horas e meia de voo desde El Calafate.

O vice-secretário de Mídia, Alfredo Scoccimarro, explicou que o velório, iniciado ontem em Buenos Aires, duraria toda a noite para permitir às pessoas ter acesso à capela ardente montada na Casa do Governo. Os presidentes Rafael Correa (Equador), Sebastián Piñera (Chile), José Mujica (Uruguai) e Evo Morales (Bolívia) passaram ontem pela Casa Rosada

O porta-voz da Presidência antecipou que hoje o caixão será levado para Santa Cruz, província patagônica onde nasceu o ex-presidente, falecido na quarta-feira, vítima de um ataque cardíaco. Segundo a fonte, Kirchner, que tinha 60 anos, será sepultado no cemitério municipal de Río Gallegos, em uma cerimônia íntima, que contará com a presença da viúva, a presidente Cristina Kirchner, e dos filhos do casal, Máximo e Florencia.

Os argentinos entravam ontem no "Salão dos Patriotas", dentro da Casa Rosada, e passavam em frente ao caixão, cercado pela presidente Cristina Kirchner e por integrantes do governo do país. Muitas pessoas usavam camisas da seleção argentina e faziam gestos com a mão em direção ao corpo do ex-presidente. Outros não se continham e choravam. Também foram ouvidos aplausos e gritos de "Néstor, Néstor!", "Néstor não morreu, Néstor vive no povo!" e "Vamos, Cristina!".

Guardada por um forte esquema de segurança, a Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada, amanheceu coberta por flores e mensagens. "Força, Cristina" são os dizeres de centenas de cartazes de apoio à presidente. "Força, presidente. Precisamos de você mais do que nunca. Estamos com você", afirmavam cartas deixadas na noite de quarta-feira por milhares de argentinos, que em meio a muita comoção foram prestar suas condolências na capital federal.

Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista coletiva na tarde de ontem, antes do embarque para Buenos Aires da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. O mandatário brasileiro elogiou o trabalho do amigo Kirchner como chefe de Estado. "É um companheiro que tenho um enorme respeito. Conseguiu tirar a Argentina do buraco econômico em que ela estava", afirmou.

Maradona
O ex-técnico da seleção argentina Diego Maradona disse nesta quinta-feira que a Argentina perdeu um "gladiador" com a morte do ex-presidente Néstor Kirchner. "Para a gente, perdê-lo é terrível. A Argentina perdeu um gladiador, um homem que arriscou sempre e que nos tirou do poço e que era respeitável em tudo", disse Maradona ao sair da sede do governo. "Eu não tive uma grande amizade com ele, mas o pouco contato que eu tive me pareceu um cara que arriscava por seus ideais", acrescentou.

Trajetória
Nascido em 25 de fevereiro de 1950 em Río Gallegos, na província de Santa Cruz, Patagônia, Néstor Carlos Kirchner teve uma vida dedicada à política. Participou desde cedo de movimentos, fazendo oposição ao governo militar como parte da Juventude Peronista. Chegou à Presidência da Argentina em 2003, fazendo sua mulher como sucessora em 2007.

Considerado um homem público com um caráter implacável frente a seus adversários, Kirchner foi um dos políticos mais influentes do país e um potencial candidato para as eleições de outubro do ano que vem.

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