Quarta, 13 de Dezembro de 2017

Kaká não tira Copa da cabeça e diz que aceitaria reserva

20 JAN 2014Por tribunahoje03h:00

O sonho de jogar a Copa ainda está muito vivo para Kaká. Depois de deixar o Real Madrid para trás, chegar ao Milan e se machucar logo no primeiro jogo, ficar triste e pensar em aposentadoria, se recuperar novamente e voltar a jogar, o craque rossonero ainda tem esperança de estar na lista dos 23 nomes de Felipão. Para isso, Kaká não vê problema algum em ficar no banco de reservas. Em entrevista exclusiva para o Esporte Espetacular, Kaká disse que não é vaidoso e que para jogar a Copa ficaria entre os suplentes sem problema. 

- Não vejo esse tipo de problema de você fazer parte de um grupo. Em 2002 joguei meia hora, mas também tinha 20 anos. Vi que a importância de um grupo é muito maior do que essa vaidade de jogar 30, 40 minutos, ou não jogar, isso faz pouquíssima diferença - admitiu.

Se agora ele está recuperado e participando ativamente dos treinos e jogos do Milan, logo quando retornou ao clube, lesionou-se novamente e temeu pelo pior. A aposentadoria passou pela cabeça de Kaká.

 - Na hora que me machuquei eu falei: 'Não sei se eu quero mais jogar futebol não. Conversei com o doutor que disse que precisava avisar à imprensa, ao clube. Eu disse para ele que conversaríamos amanhã, eu tinha me preparado para fazer tudo o possível para jogar a Copa, aí me machuco logo no primeiro jogo oficial. Aí falei assim: Ah não, chega, deu. Aí liguei para o Galliani (diretor do Milan) e falei com ele que não queria receber. Ele disse para eu ter calma. Parti para a recuperação e consegui voltar - disse ele, aliviado com o fim do drama.

A tensão de pensar em parar foi o auge de um processo que começou ainda no Real Madrid, quando perdeu espaço no grupo.

- Eu chegava em casa chateado e as crianças eram uma motivação para continuar jogando, treinando. Mas foram momentos muito difíceis, cheguei a ir treinar sem vontade nenhuma, vontade zero -  lembrou.

Kaká recebeu Galvão Bueno e a equipe do EE em Milanello, o centro de treinamentos do rubro-negro italiano. Sempre simpático, o craque abriu o jogo e falou sobre tudo: as dificuldades com as lesões, a certeza de que Seedorf vai dar certo como técnico e sua relação com 'o gente boa' Cristiano Ronaldo.

- Ele não é marrento não - afirmou.

Para estar no grupo que disputará a Copa, o craque usa como exemplo o período que passou no Real Madrid, onde ficou várias vezes no banco de reservas. 

- Eu acho que numa Copa esse tipo de vaidade não se encaixa em um grupo campeão. Eu não tive problema nenhum em ficar três anos no banco do Real. Digo banco assim...joguei, tive meus períodos de titular também. Por que eu achava realmente que a culpa não era do Mourinho, eu sempre falei que eu tinha que fazer alguma coisa - disse.

Ele afirma ainda que, se não aceitasse naturalmente a reserva, teria brigado e saído do Real logo no primeiro ano.

- Eu nunca fui muito vaidoso em relação a isso, poderia ter brigado e saído do Real Madrid logo no meu primeiro ano e sempre tentei mudar as coisas da forma que eu acho que é correto, fazendo o meu trabalho e lutando pelo meu espaço. Se vai conseguir ou não isso aí eu não sei, mas não sinto também que foi um fracasso, por que eu fiz tudo que eu podia para poder dar certo. Não deu, não aconteceu. Então acho que para a Seleção, no caso de uma Copa do Mundo vale da mesma forma.

Para o meio-campista do Milan, a cabeça de Felipão é objetiva. Por já ter trabalhado com o treinador, ele afirma entender como o comandante procede na hora de formar o grupo.

 - A última vez que eu conversei com ele foi quando eu fui convocado para os jogos contra Itália e Rússia, de lá  para cá não temos nos falado, nem quando ele veio aqui ver Milan x Inter. Acho que depende muito do que eu vou fazer até o fim da temporada com o Milan, essa é a minha parte. E depende dele, eu tive em 2002 com o Felipão e vi que tudo para ele é muito encaixado naquilo que ele é decidido a fazer. Diria que é um quebra-cabeça mesmo, essa peça cabe aqui, encaixa aqui, em diversas situações, para jogar e até mesmo para não jogar.

 A missão de Kaká agora é conseguir se encaixar como uma peça importante desta quebra-cabeça de Scolari.

 - Então se ele achar, mais uma vez, que eu me encaixo nesse quebra-cabeça dele, eu vou estar dentro. Se não...eu não queria realmente, lá para frente, me sentir frustrado por não ter tentado. Meu foco era esse, quer dizer era esse não, é esse, de voltar para a Seleção e ir para a Copa no Brasil. Meu planejamento foi todo em cima disso, vir para o Milan, jogar aqui, por isso trouxe um fisioterapeuta particular, para ter um bom rendimento em campo, ter alegria de jogar e voltar à Seleção. Nesse momento estou em 75 a 80% do minha condição e acredito que consiga chegar de novo aos 100% - explica o craque.

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