sexta, 20 de julho de 2018

Justiça confisca patrimônio milionário

20 SET 2010Por 20h:04

bruno grubertt

A Justiça Federal confiscou patrimônio milionário do traficante João Freitas de Carvalho, conhecido como João Jacaré. Também condenado a cinco anos de prisão, em regime fechado, ele foi preso em 2003, acusado de integrar uma organização criminosa especializada em tráfico de cocaína da Bolívia para o Brasil. João Jacaré era responsável por pilotar uma aeronave que fazia o transporte da droga. Dentre os bens confiscados pela Justiça, em sentença publicada na semana passada, pelo juiz federal odilon de Oliveira, está uma mansão no Residencial Nasa Park, assim como uma casa no Bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, outras duas no Novos Estados, nove sobrados, um jet ski, automóveis de luxo e um avião.
Em julho de 2003, João Jacaré foi preso em Coxim, juntamente com os traficantes Ricardo Uemura, João Aguillar e Jairo Aguillar, quando transportavam 179  quilos de cocaína vindos da Bolívia. A prisão ocorreu oito meses depois que a Polícia Federal começou a investigar o bando. Solto poucos meses depois, ele respondeu ao processo em liberdade. No entanto, voltou a ser preso em 2005, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, acusado de transportar drogas para  grupos de narcotraficantes que atuam naquele país. Como já respondia a processo em Mato Grosso do Sul o piloto foi extraditado para o Brasil em 11 de maio de 2006.

Enriquecimento
A evolução patrimonial de João Jacaré chamou a atenção da polícia e começou a ser apurada pelo Ministério Público Federal (MPF), deois de o criminoso ter sido identificado como envolvido em ocorrências sucessivas de tráfico – sua primeira prisão ocorreu em 1995, quando cumpriu pena aplicada. De acordo com a sentença do juiz federal Odilon de Oliveira, denúncia do MPF diz que “João Freitas de Carvalho, valendo-se também da condição de piloto de avião, vem praticando tráfico internacional de cocaína há muitos anos, fazendo dessa atividade seu meio de vida”.
Ainda conforme as constatações, o traficante usava nomes de seus dois filhos e esposa para camuflar os imóveis e veículos adquiridos com o dinheiro proveniente do tráfico.
Os bens já haviam sido sequestrados pela Justiça em março de 2005, porém, no mesmo mês, uma das casas e sete dos nove sobrados foram vendidos por valores inferiores ao de mercado, como tentativa de fraudar o processo de confisco. A movimentação foi anulada pela Justiça.
Movimentações financeiras de grandes valores eram feitas por meio das contas dos filhos, que também tinham em seu nome alguns dos imóveis confiscados.
André Luiz Galeano de Carvalho, um dos filhos de João, foi condenado a três anos de prestação de serviços à comunidade e multa. A.K.G.C., outra filha do traficante, foi absolvida das acusações de envolvimento com a organização.

Comparsa
Luiz Dias de Souza, condenado a um ano de detenção em regime aberto, segundo a sentença, era integrante da quadrilha liderara por João Jacaré desde 1995, quando também foi preso pelo crime. Em nome de Luiz estava uma das residências de luxo situadas em bairros nobres da Capital. Em um desses imóveis, encontravam-se os automóveis de luxo, motocicleta e jet ski, avaliados em mais de R$ 440 mil.
A denúncia ainda relaciona outros bens de valor considerável que estariam em nome de “laranjas”, que, segundo a sentença, não teriam condições de adquiri-los de forma lícita. O jet ski, por exemplo, estaria em nome de um trabalhador que recebia salário de R$ 700, dos quais R$ 100 pagava de pensão alimentícia para filhos.
Além dos bens, também foram confiscados R$ 12 mil e os aluguéis pagos pelos imóveis deverão ser entregues à Justiça. Veículos e aeronave devem ser leiloados imediatamente, conforme decisão do juiz Odilon de Oliveira.

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