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Juíza diz que fuga de menores é rotineira

13 ABR 10 - 20h:53
Anahi Zurutuza

Os sete menores – com idade entre 10 e 16 anos – que fugiram da Casa Abrigo, mantida pela Prefeitura de Campo Grande no Bairro Nova Campo Grande, já foram encontrados e recolhidos pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), segundo a juíza Katy Braun do Prado, titular da Vara da Infância, Juventude e do Idoso. A magistrada, que é responsável pelo encaminhamento das crianças e adolescentes aos abrigos da Capital, afirma que, no entanto, o problema é rotineiro e que voltará a acontecer.

Em Campo Grande, segundo Katy, existem 11 casas que, hoje, abrigam 160 menores vítimas de maus-tratos, abandono e menores usuários de drogas. “Em todas as casas de acolhimento acontecem fugas quase que diariamente, muitos dos abrigados são usuários de entorpecentes, envolvidos com prostituição ou até mesmo infratores que já cumpriram medida socioeducativa e são rejeitados pelas famílias. Quando esses menores vão para o abrigo, eles não suportam as regras ou têm  crise de abstinência por estarem sem usar drogas e fogem. A secretaria já até sabe os locais para onde eles vão e quase sempre consegue recuperar”.

A juíza explica que, como a guarda dos menores fica provisoriamente nas mãos do dirigentes dos abrigos, a vigilância “é de responsabilidade do Município e mantenedores das casas de acolhimento”. “O problema é que os locais não são fechados, as crianças têm direito ao convívio social, ir à escola, por exemplo. Eles aproveitam essas brechas, para voltar para a rua ou mesmo para a família, muitos não têm noção do quão a convivência com determinados parentes é prejudicial a eles”.
Sobre o fato de no abrigo do Nova Campo Grande serem mantidas crianças e adolescentes juntos, situação que contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Katy afirma que “infelizmente, a capacidade dos abrigos está se esgotando”. “Está sendo cada vez mais comum o abandono dos filhos pelos pais. O que acontece é que as famílias não estão preparadas para educar e acabam ‘desistindo’ de cuidar dos filhos”.

A magistrada diz que já acionou a Prefeitura de Campo Grande para que sejam disponibilizadas mais vagas nos abrigos e que a administração municipal se comprometeu em, até o fim do semestre, abrir mais duas novas casas de acolhimento na Capital.
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