Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

Atitude

Jovens pedem atenção dentro de casa e reclamam de educação arcaica

11 MAI 2011Por Laís Camargo16h:58

Com o plenário lotado, a primeira audiência pública sobre violência nas escolas trouxe exemplos fortes de ruptura familiar como principal causadora da “revolta” juvenil. Esta tarde representantes dos estudantes de escolas públicas, secretários de educação, juízes e políticos ouviram os principais apelos dos jovens e pensam juntos em ações para modificar um quadro que assusta com reações cada vez mais brutais.

“Quem não aprendeu amor em casa, dificilmente levará amor para a rua. A carência afetiva gera introspecção e frieza”, afirma a deputada federal Mara Caseiro, do PT do B, proponente do ciclo de três audiências.

Representantes do parlamento jovem quebraram a ideia de que não há adolescentes interessados em política ou no próprio futuro. “Temos muita cobrança com relação a álcool, drogas, sexo e violência, mas não temos orientação com relação a isso nas escolas”, aponta Flávio Picoli, aluno do 3º ano do Ensino Médio. Para cada 10 escolas estaduais, um psicólogo é disponibilizado.

As questões da segurança e da educação arcaica também foram reclamadas pelos jovens. “O adolescente é produto da sociedade, se ele está no nosso meio, quem é o culpado? Nós mesmos. Nós que moramos em um apartamento de luxo no 20º andar e nós que damos esmolas para nos livrarmos logo do 'problema'. Estamos deixando nosso jovem morrer a míngua”, enfatiza Danilo Burin, juiz da infância e juventude.

A má interpretação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) seria uma das causas para o comportamento inconsequente e sem punição. “Faz tempo que eu frequentei a escola, mas o professor era a pessoa mais respeitada na sociedade, alguém que todos queriam falar e estar perto. Hoje, ele perdeu totalmente a autoridade e é oprimido quando pede silêncio na sala ou até quando pede para o aluno desligar o celular. Não estamos entendendo nossas próprias leis”, questiona Burin.

Família e modernidade

Como centro de sustentação de toda educação – a família. Em depoimento, uma professora vivenciou um caso emocionante de ruptura desta estrutura. Ela pediu uma redação com tema livre aos alunos e, ao corrigir uma delas, chorava muito. O marido chegou em casa e pediu para ler; a redação dizia: “eu queria ser a televisão da casa, porque quando ela está ligada, ninguém pode falar e só ela detém a atenção”. O detalhe é que este menino era filho da professora.

Escolas arcaicas e modernas foram diferenciadas pelos alunos – que pedem atualização dos professores. Uma escola arcaica expõe conteúdos para serem decorados, enquanto uma moderna se impõe enquanto instituição na sociedade, formando alunos pensantes. Elogiaram o Exame Nacional do Ensino Médio, que prioriza a interpretação no lugar das fórmulas e estudam maneiras de promover maior integração entre o mundo dos professores e o deles.

As próximas audiências tratarão de estudo comportamental da saúde dos jovens e importância das políticas públicas para a juventude.

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