Segunda, 18 de Dezembro de 2017

Jovem tem mais poder na classe C, diz estudo

19 FEV 2014Por epoca06h:00

Cursos superiores e profissionalizantes, academias de ginástica, notebooks, smartphones, automóveis. Esses são apenas alguns itens e serviços que os jovens da faixa de renda mais numerosa do Brasil, a classe C, estão ansiosos para consumir. Segundo o estudo “Faces da Classe Média”, divulgado nesta terça-feira pela Serasa Experian e pelo Data Popular, 19% da classe C (14,7 milhões de pessoas) é composta por jovens, com idade média de 22 anos, que gastaram R$ 230,8 bilhões no ano passado, principalmente com produtos relacionados à educação, tecnologia, beleza e entretenimento. O estudo avaliou o grupo com renda per capita de R$ 320 a R$ 1.120 mensais, correspondente a 108 milhões de brasileiros ou 54% da população do país.

O estudo batizou os integrantes desta faixa da classe C de “promissores”. Esses jovens ascenderam socialmente nos últimos anos e muitos fazem parte da primeira geração familiar a chegar ao ensino superior. Os jovens “promissores” são majoritariamente solteiros (95%), completaram o ensino médio (59%) e trabalham com carteira assinada (57%). Também estão conectados à internet (72%). Segundo Renato Meirelles, presidente do Data Popular, os “promissores” são os “formadores de opinião da nova classe média”. A familiaridade com a internet e os anos de estudo a mais tornam esses jovens fontes de informação para seus pais e suas opiniões são levadas em conta na hora da família escolher um produto ou serviço. A ânsia para consumir também pode causar alguns problemas: 51% desses jovens afirmam já terem passado por situações de descontrole financeiro.

Um pouco mais velhos, e donos de um poder aquisito maior, são os “batalhadores”, grupo que representa 39% da classe C (30,3 milhões), segundo o estudo. Os batalhadores têm por volta de 40 anos e desembolsaram R$ 388,9 bilhões em 2013. Entre eles, 49% possuem carteira assinada. A formalização do trabalho e o aumento real dos salários foram os responsáveis pela saída da pobreza. O emprego estável possibilitou a compra ou reforma da casa e o financiamento do carro da família. E o crédito permite aos batalhadores o acesso a eletrodomésticos como máquinas de lavar e televisores de tela plana.

Um quarto da classe C (20,5 milhões de pessoas) é composta pelos chamados “experientes”, homens e mulheres com idade média de 65 anos. Apesar de aposentados, muitos “experientes” optam por continuar trabalhando para complementar a renda familiar. A aposentadoria de um membro “experiente” representa, em muitos casos, a única fonte de renda fixa e o acesso mais barato e fácil ao crédito para muitas famílias. Segundo Meireles, algumas características dos “experientes”, como a memória dos tempos da hiperinflação e o fato de 65% deles já ter passado privação material, como fome, faz deles um grupo mais controlado, que tende a escolher produtos mais baratos. São também o grupo menos escolarizado da classe C: 31% deles não recebeu instrução. Em 2013, o consumo dos experientes foi de R$ 270,4 bilhões.

O último grupo apontado no estudo são os “empreendedores”, a elite da classe C. Mais escolarizados e com maior renda per capita, os “empreendedores” somam 16% dessa faixa de renda (11,6 milhões) e são os que mais gastam com educação, tecnologia e viagens ao exterior. Com hábitos mais parecidos com os dos brasileiros mais ricos, a classe AB, os “empreendedores” gastaram R$ 276 bilhões no ano passado. O investimento em um negócio próprio, que garanta liberdade e também um trabalho mais recompensador e alinhado à vocação pessoal, foi o principal responsável pela ascensão social do grupo.

Para traçar os quatro perfis apresentados pelo estudo “Faces da Classe Média”, três mil pessoas foram entrevistadas pessoalmente e foram analisadas as informações de mais de 800 mil CPFs cadastrados no sistema Serasa Expiran. Nas entrevistas pessoais tiveram destaque a relação com o consumo, a família e o trabalho e a visão de mundo.

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