Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Jornalista desmistifica imagem do frila que sai pelo mundo pautado por si mesmo

14 NOV 2010Por LIVRARIA DA FOLHA19h:52

Aquela imagem romântica e desbravadora de que repórter freelancer sai pelo mundo em busca de reportagens mirabolantes e se pauta conforme lhe der na linha é desmistificada pelo jornalista Maurício Oliveira em "Manual do Frila: O Jornalista Fora da Redação" (Editora Contexto, 2010).

Logo na apresentação do volume, o autor pontua e justifica sua experiência na área como frila. Ele não deixa de ressaltar que quem é frila em tempo integral "não pode se dar ao luxo de fazer apenas o que quer".

"Considero, também, que é importante desmistificar a imagem romântica que se faz do jornalista freelancer como um sujeito que sai pelo mundo pautado por si próprio e tem o resultado do seu trabalho disputado por vários clientes em potencial. Não digo que esse estágio seja impossível de alcançar, mas apenas por profissionais que conquistaram um alto nível de reconhecimento - ou por aqueles que receberam uma bela herança e não têm que se preocupar com contas. O normal é trabalhar predominantemente sob demanda, cumprindo missões definidas pelo contratante. Nesse meio tempo, consegue-se emplacar uma ou outra ideia própria.

Quem é frila em tempo integral e precisa correr atrás de dinheiro para pagar as contas não pode se dar ao luxo de fazer apenas o que quer. A maior parte do trabalho vem das encomendas. Ou seja: alguém o consulta para saber se você gostaria de assumir determinada tarefa, com prazo determinado para ser concluída e pela qual pagará certa quantia. Ciente das condições, você aceita ou recusa", esclarece o jornalista.

No livro, Oliveira explica como conciliar autonomia aos desafios da profissão sem esquecer da boa remuneração no final do mês. Com vasta experiência na área, ele separou o volume de forma prática. São elas: "Rede de contatos é tudo", "O que diferencia um frila", "Especialista ou generalista?", "O mundo não te entende" e "Um universo de possibilidades". O autor também disponibiliza uma lista com sugestões de leitura sobre o assunto.

Ele confidencia para o leitor o que teria feito caso seu projeto de trabalhar como frila não tivesse êxito:

"Se meu projeto como frila não desse certo, restariam dois caminhos: voltar a São Paulo, onde deixara várias portas abertas, ou procurar emprego em Florianópolis, onde eu conhecia muita gente por ter cursado Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e por ter trabalhado nos jornais e revistas locais durante os primeiros anos da carreira.

Mas tudo transcorreu da melhor forma possível e hoje não troco minha vida de frila por nenhum emprego fixo. Obviamente posso vir a mudar de ideia, mas neste momento não consigo imaginar um trabalho que compense todas as vantagens que vejo em ser independente. Uma das principais, para alguém que não tem a menor vocação para comandar subordinados e lidar com questões administrativas, é que um frila tem a possibilidade de obter uma remuneração gradualmente melhor sem se ver obrigado a assumir cargos de chefia."

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