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EMPRESA

JBS registra prejuízo de R$ 264 milhões

28 MAR 2011Por ESTADO DE SÃO PAULO17h:09

O grupo JBS fechou o ano passado com um prejuízo líquido de R$ 264 milhões - em 2009, havia registrado um lucro de R$ 220 milhões. De acordo com a empresa, a perda se deve basicamente ao pagamento de um prêmio de R$ 521,9 milhões aos seus debenturistas, além de gastos de R$ 77,1 milhões com a incorporação da Bertin S/A. A receita líquida do grupo foi de R$ 55 bilhões, um crescimento de 57,7% em relação a 2009.

Segundo o presidente do grupo, Wesley Batista, a meta para este ano é alcançar uma receita de US$ 40 bilhões (ou R$ 66,4 bilhões, pelo câmbio de ontem). Desse total, US$ 28 bilhões (R$ 46,5 bilhões) devem vir da unidade americana, a JBS USA.

Segundo o executivo, o desempenho será impulsionado por um volume maior de capacidade de abate, além de esperar um aumento significativo de preços de aves e suínos tanto nas exportações quanto no mercado doméstico. "Quando adquirimos a (americana) Pilgrim"s, por exemplo, ela estava em concordata e operava a 82% da capacidade, e encerramos 2010 com 98%", disse Batista. Já no Brasil, o porcentual de capacidade está em 75%, impactado pela oferta crítica de bois disponíveis para o abate.

Sobre a melhora da principal matéria-prima utilizada pela empresa, o boi gordo, Batista acredita que o ciclo da pecuária brasileira está em recuperação. "A partir do meio do ano, veremos um abate maior, por conta de uma maior oferta, e podemos chegar a uma capacidade de 80%, 85% nos próximos períodos", disse. O executivo ainda prevê preços em patamares altos tanto do boi gordo quanto dos grãos.

Debêntures. Wesley Batista disse também que as negociações com o BNDES para uma segunda emissão de debêntures ainda continuam. "Não quero dar detalhes até fecharmos a negociação. Mas acredito que nos próximos 30 dias já tenhamos a solução final e comunicaremos ao mercado", afirmou.

No final do ano passado, o JBS anunciou estar negociando uma nova emissão, de R$ 4 bilhões, para substituir a primeira emissão dos papéis, de R$ 3,479 bilhões. O principal envolvido é o BNDES, já que a instituição ficou com 65,1% do total da primeira emissão. Dessa operação veio o prejuízo do grupo no ano passado. Como não conseguiu abrir o capital da JBS USA, uma das condições para a conversão das debêntures em ações, o JBS teve de pagar o prêmio de R$ 521 milhões.

Sobre novas aquisições, Batista disse apenas que o crescimento orgânico, com foco em canal de distribuição, e a busca das sinergias das compras recentes deverão ser a prioridade do JBS no período. "Se olharmos para trás, fizemos muito. Mas, se enxergarmos o futuro, ainda temos muito a fazer. Em 2011, iniciamos uma nova etapa: colher os frutos do que investimos nesses últimos anos e trabalhar na ampliação de nossos canais de distribuição", disse o executivo.

Ele não comentou a possibilidade de uma oferta pela americana Sara Lee, um rumor recorrente no mercado. Mas disse que o grupo segue "observando as oportunidades".

Receita

R$ 66,4 bi é a previsão de receita do grupo para este ano. Desse total, que equivale a US$ 40 bilhões, cerca de US$ 28 bilhões (ou R$ 46,5 bilhões, pelo câmbio de ontem) devem vir das operações nos

Estados Unidos

R$ 55 bi foi o faturamento do grupo JBS no ano passado, um crescimento de 57,7% na comparação com o ano anterior.

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