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Campo Grande - MS, terça, 11 de dezembro de 2018

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Israel exige anulação de relatório sobre crimes de guerra

3 ABR 2011Por FOLHA ONLINE17h:43

Israel exigiu neste domingo a anulação do relatório de Richard Goldstone que acusa o Estado hebreu de "crimes de guerra" durante a ofensiva contra a Faixa de Gaza em 2008-2009, depois que o próprio autor do documento lamentou as conclusões.

"Peço à ONU que anule imediatamente o relatório Goldstone. É preciso jogar esse relatório na lixeira da História", disse Netanyahu em um breve discurso na televisão.

"Goldstone confirma o que nós sempre soubemos: Israel disse a verdade. Nós nunca atacamos civis de forma deliberada e nossas instâncias de controle estão no nível dos critérios internacionais mais altos, enquanto que o Hamas (no poder em Gaza) não verificou nada enquanto disparava [foguetes] para matar civis", afirmou Netanyahu.

"Agora temos que multiplicar os esforços para que este relatório seja anulado, e farei todo o possível para que isto aconteça", declarou o ministro da Defensa, Ehud Barack, depois de pedir a Goldstone que "publique suas atuais conclusões" e não se contente com um simples artigo.

Em um artigo publicado no sábado no Washington Post, Goldstone, autor de um relatório da ONU sobre as alegações de crimes de guerra durante a operação israelense na Faixa de Gaza no final de 2008, considerou que seu relatório teria sido "um documento diferente" hoje.

"Sabemos melhor hoje o que aconteceu durante a guerra de Gaza do que quando eu presidia a comissão de investigação", escreveu o magistrado no jornal.

"Embora Israel não negue, desde a publicação de nosso relatório, a perda trágica de vidas civis, lamento que nossa comissão de investigação não tenha tido acesso às provas sobre as circunstâncias nas quais consideramos que civis foram atacados em Gaza", considerou o magistrado.

"Isso teria, provavelmente, modificado nossas conclusões sobre a intencionalidade dos crimes e sobre a existência de crimes de guerra".

Israel e Hamas

O relatório Goldstone havia indicado na época que havia a possibilidade de crimes de guerra cometidos ao mesmo tempo por Israel e pelo Hamas.

Com o objetivo de acabar com os disparos de foguetes contra Israel a partir da Faixa de Gaza, a ofensiva israelense matou pelo menos 1.400 palestinos, em sua maioria civis, segundo fontes locais, e 13 israelenses.

Um comitê criado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para supervisionar o informe do juiz Goldstone reconheceu que Israel consagrou "importantes recursos para investigar mais de 400 denúncias de má conduta operacional em Gaza".

Depois da publicação do documento, as autoridades israelenses, que se recusaram a colaborar com a investigação da ONU, criticaram duramente o autor, que foi acusado de ser avalista da tese do Hamas.

Reservas

O Hamas se declarou surpreso com as reservas de Goldstone.

"O Hamas está surpreso com a posição do juiz Richard Goldstone na qual retifica algumas partes de seu relatório e apoia a versão israelense", declarou Sami Abu Zuhri, porta-voz do movimento radical que controla Gaza.

Ele afirmou ainda que o documento solicitado pela ONU "não é de propriedade do juiz Goldstone", já que ele não é o único autor do relatório e defendeu que as Nações Unidas apliquem as conclusões.

O movimento radical Jihad Islâmica criticou o recuo do juiz e afirmou que ele "cedeu às pressões do lobby sionista".

Já o presidente israelense Shimon Peres afirmou que o juiz deve pedir desculpas por ter acusado Israel de crimes de guerra.

A imprensa de Israel também destacou o assunto.

Para o jornal Maariv, Goldstone "não merece o perdão, já que atuou de forma miserável e vergonhosa, contrária às normas mais fundamentais da moral, da justiça e do senso comum". O Haaretz afirma que a mudança de opinião do juiz constitui "uma formidável vitória midiática para Israel".

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