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Islamitas incendeiam prédios de faculdades no Cairo

28 DEZ 13 - 20h:00folhapress

Centenas de estudantes islamitas leais à Irmandade Muçulmana incendiaram hoje dois prédios da Universidade Al-Azhar, no Cairo, em protesto contra o decreto do governo interino que considerou a entidade um grupo terrorista.

Os estudantes afirmam que um estudante foi morto durante os enfrentamentos de hoje, embora a informação não tenha sido confirmada pelo governo. Se confirmada, será a sexta vítima dos confrontos que começaram na última quinta.

A instituição de ensino é um dos locais de maior confronto com as forças de segurança, iniciados após grupos islâmicos convocarem seus aliados para a "semana da ira" para se revoltar contra o governo controlado pelos militares.

De acordo com o Ministério do Interior, os prédios que abrigam as faculdades de Arquitetura, Comércio, Ciências e Direito Islâmico ficaram parcialmente queimados após os estudantes colocarem fogo em parte do mobiliário para impedir a realização de provas. Os bombeiros conseguiram controlar as chamas.

Em seguida, as forças de segurança conseguiram dispersar os islamitas com bombas de gás lacrimogêneo e liberaram o acesso da faculdade a outros alunos que não participavam do ato.

O incêndio aconteceu em meio aos confrontos entre os manifestantes e os policiais. O governo afirma que prendeu mais de 60 estudantes e apreendeu bolsas com pedras, fogos de artifício, coquetéis molotov e uma bolsa cheia de pregos.

Hoje outras 16 pessoas foram presas na Província de Al Minufiyah, ao norte do Cairo, por atacar várias delegacias de polícia e incitação a manifestações e à violência. O governo proibiu a realização de protestos sem autorização em novembro e na semana passada impediu a realização de atos da Irmandade.

Os confrontos acontecem em meio à jornada de protestos, convocada pela Coalizão Egípcia para a Defesa da Legitimidade, que apoia o presidente islamita Mohammed Mursi, retirado do poder pelos militares em julho e preso acusado de associação ao terrorismo.

Em uma nota chamando para a "semana da ira", a entidade afirmou que o governo passou dos limites, mas que pretende atuar de forma pacífica. "Não ficaremos de braços cruzados diante da agressão contra as mulheres do Egito e os abusos contra os detidos que rejeitam o golpe de Estado", ressalta a nota. 

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