Quarta, 24 de Janeiro de 2018

Irã desafia o mundo e promete enriquecer urânio

8 FEV 2010Por 07h:05
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, determinou à agência nuclear do país que eleve a 20% o grau de enriquecimento do urânio iraniano. A orientação, transmitida neste domingo pela TV estatal iraniana, surge em meio a discussões entre Teerã e o Ocidente sobre uma proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) pela qual o Irã exportaria urânio para enriquecimento em outros países. Durante reunião com autoridades iranianas, Ahmadinejad dirigiu-se ao chefe do programa nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, e ordenou que o país comece a enriquecer urânio a um nível mais alto. “Salehi, comece a produção (de urânio enriquecido) a 20%”, disse o presidente. Ahmadinejad não estabeleceu uma data para o início da produção. A comunidade internacional teme que o urânio venha a ser utilizado pelo Irã para a produção de armas nucleares. Teerã, no entanto, afirma que seu programa tem fins pacíficos. Atualmente, o Irã usa centrífugas para enriquecer urânio a até 4,5% para uso em sua primeira usina nuclear, que está sendo construída com auxílio da Rússia e que deverá iniciar operações ainda este ano. O pronunciamento de Ahmadinejad coincide com o convite do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, para que a comunidade internacional se una para pressionar o Irã a abandonar seu programa nuclear. Em conversa com jornalistas durante um tour de uma semana pela Europa, Gates afirmou que “se a comunidade internacional se juntar e pressionar” o Irã, “acredito que ainda há tempo para que as sanções funcionem”. Ele recusou a ser mais específico sobre os tipos de sanções que tem em mente, mas explicou que o foco seria pressionar o governo em Teerã, e não afetar as pessoas. Em seu comentário na TV estatal, Ahmadinejad disse: “Se Deus quiser, o enriquecimento a 20% começará” para atender às necessidades do Irã. O Reino Unido também se mostrou preocupado com os planos do Irã. Em pronunciamento divulgado pelo Escritório de Relações Exteriores, em Londres, a portavoz do Ministério disse que os “relatos de que o Irã está planejando enriqueceu parte de seu combustível para o nível de 20% são claramente um motivo de séria preocupação”. O Irã e o Ocidente têm discutido um plano da União Europeia, sob o qual os iranianos exportariam seu urânio pouco enriquecido para que o processo fosse finalizado em outro país. O plano da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês) foi desenhado no início de outubro, em um encontro em Genebra entre o Irã e seis potências do mundo. Foi revisto no fim daquele mês em Viena, durante discussões entre Irã, Estados Unidos, Rússia e França. O encontro de Viena resultou em um rascunho de proposta que tiraria 70% do urânio pouco enriquecido do Irã, com objetivo de reduzir seu estoque do material, evitar maior enriquecimento e, consequentemente, a possibilidade de fabricação de armas nucleares. Esse urânio retornaria um ano depois, refinado de maneira que serviria para reatores de energia, mas não para fabricação de armas.

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