sábado, 21 de julho de 2018

tecnologia

Internet rápida chega a Cuba, não aos cubanos

30 JAN 2011Por estadão08h:30

A instalação do cabo de fibra óptica entre Venezuela e Cuba, para modernizar o acesso à internet na ilha, não deve trazer benefícios aos cubanos, mas sim ampliar o controle da informação - e da banda larga. A substituição da conexão por satélite vai reduzir custos, mas a rede permanecerá censurada. O acesso rápido, porém, deve ajudar a disseminar a "web extraoficial", impulsionando inovações tecnológicas para a troca de informações.

A joint venture cubano-venezuelana para a instalação dos 1.600 quilômetros de cabos submarinos burla as sanções dos EUA, que proíbem a ilha de ter acesso a cabos de fibra óptica que fazem a comunicação com o mundo todo. Os trabalhos começaram este mês e devem ser concluídos na segunda quinzena de fevereiro. A internet rápida será habilitada no segundo semestre e ampliará a velocidade da conexão em 3 mil vezes - de 209 megabytes para 640 gigabytes. O projeto, bancado pela Venezuela, custará US$ 70 milhões - cerca de 800 mil barris de petróleo.

O reflexo da mudança será sentido nos setores de pesquisa e educação, autorizados pelo governo a usar a web. Apenas 14% da população tem acesso à rede. "Em Cuba, a internet não é uma questão técnica ou econômica, mas política", afirmou ao Estado o especialista cubano Eugenio Yáñez, que vive em Miami. "Não devemos esperar qualquer grande abertura para o acesso dos cubanos à web, já que a rede é controlada por um servidor estatal. O governo não será afetado pela mudança", disse.

A internet rápida será oferecida apenas em centros públicos. Segundo Havana, não há verba para levar conexão até as casas. A banda larga, porém pode abrir um precedente para incentivar a população a cobrar maior acesso à web, principalmente com as mudanças econômicas previstas para este ano na ilha com o incentivo estatal ao setor privado.

Para Yáñez, a melhoria da conexão pode também ampliar as oportunidades para a população escapar da censura e trocar conteúdo considerado inapropriado pelo governo.

"Qualquer conteúdo ilegal da rede gravado em pen drives, CDs e outros equipamentos portáteis pode ser copiado e divulgado. Essa informação pode abastecer a "web ilegal" criada pelos cubanos, assim como existem hoje os sistemas de TV e as antenas parabólicas. Se o país tem uma conexão mais eficiente, os avanços tecnológicos e as oportunidades para a troca de dados são maiores", afirmou Yáñez.



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