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Instituições devem ajudar a desvendar crimes da ditadura, diz ministra

8 MAR 14 - 21h:00FOLHAPRESS

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, defendeu nesta semana as investigações que acontecem em várias instâncias no país para elucidar casos de tortura e morte ocorridas durante o período da ditadura militar. Para a ministra, todas as instituições brasileiras precisam contribuir.

"Se você fala do período [da ditadura militar], todas as instituições brasileiras têm que trazer para si a responsabilidade moral e ética de contribuir, de dar as mãos e contribuir para desvendar [os crimes] e visibilizar a memória, que foi tão invisível até o surgimento efetivo da Comissão Nacional da Verdade que até então ficava só entre os familiares e nós, ex-presas", afirmou.

A ministra foi homenageada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça que realiza hoje, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, uma sessão especial para julgar os casos de dez mulheres que foram presas e sofreram processos em tribunais militares na época. A comissão divulgará no final do dia o resultado dos julgamentos.

Durante a sessão, a ministra relatou o período em que lutou contra o governo militar e ressaltou a importância das mulheres na luta pela democracia. "Somos mulheres que deram a vida, mas nós demos o período da adolescência e juventude, que são os anos mais brilhantes para uma mulher, para a luta contra a ditadura", afirmou após afirmar que a discriminação estava presente até mesmo nos movimentos de luta e nos partidos políticos.

Em 2011, a ministra enviou uma carta ao Conselho Estadual de Direitos Humanos de Minas Gerais revelando que havia sido torturada durante a ditadura, assim como a presidente Dilma Rousseff. As duas são amigas desde aquele período.

Menicucci contou que sofreu choques elétricos, socos, chutes e que os militares chegaram a ameaçar a sua filha de apenas um ano na época, em um quartel de Juiz de Fora, em 1971.

Ontem, a ministra afirmou que a tortura psicológica deixou marcas que duram até hoje. "Não precisa de tortura física. A tortura emocional, psíquica, talvez seja uma das coisas que não cicatriza. Porque a tortura física deixa marcas que cicatrizam, mas a emocial, fica", disse.

Durante a sessão, a ativista Sonia Hypolito também foi homenageada. Ela afirmou que iniciativas como a da comissão da anistia são fundamentais para mostrar à juventude que o regime militar foi um período de "terror", com "torturas" e "truculência".

"Muitos companheiros foram sacrificados, brutalmente assassinados pelos nossos inimigos, os militares, que nesse mês estão muito nervosos, dizendo que irão comemorar a revolução que salvou o nosso país. (...) Temos que mostrar à juventude que a ditadura foi um período de terror, toda a truculência, a censura que aconteceu neste país não pode voltar e não podemos esquecer Eu acho que temos que ir até as últimas consequências para identificar todos os responsáveis", afirmou.

Na semana que vem, completam-se 50 anos da instalação do regime militar no país, que durou de 1964 a 1985. A Comissão de Anistia foi criada em 2001 para analisar pedidos de indenização formulados por pessoas que foram impedidas de exercer atividades econômicas por motivação exclusivamente política desde 18 de setembro de 1946 até cinco de outubro de 1988. 

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