Sexta, 15 de Dezembro de 2017

Inquérito do Exército indicia quatro por morte de militares

23 FEV 2010Por 03h:57
Inquérito Policial Militar (IPM), com 503 páginas, responsabilizou dois capitães e dois sargentos do 17º Batalhão de Fronteira, de Corumbá, pela morte do cabo Diego Augusto de Lima Leite e do soldado Antônio José dos Santos Neto, ambos de 21 anos, durante exercícios realizados na região do Rabicho, em Ladário, em 26 de novembro do ano passado. Laudos do IML (Instituto Médico-Legal) constataram que os militares morreram em virtude de insuficiência cardiorrespiratória aguda, por coagulação intravascular disseminada em decorrência de intermação associada ao excesso de esforço físico e desidratação. Outros dois soldados também se sentiram mal durante os exercícios, mas sem gravidade. O IPM foi conduzido pelo tenente-coronel William Wilson Rueda, da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira, que apresentou relatório “contundente, firme, isento e detalhado” em relação aos fatos que contribuíram para o incidente, informou o advogado das famílias das vítimas, Luiz Fernando Toledo Jorge, presidente da seccional da OAB de Corumbá. Sem água O relatório indicia os capitães Pílade Bergamaschi Robert e Ângelo Fujita pelas mortes, concluindo que houve transgressão militar e nenhuma medida preventiva ou de segurança foi tomada. Também são acusados os sargentos Idmar Santos Rocha e Carlos Magnum Cavalcante de Brito, este por distribuir alimentos aos soldados com as próprias mãos. O cabo Leite e o soldado Neto integravam um grupo designado para realizar o Estágio Básico de Combatentes no Pantanal, com exercícios terrestres e fluviais, sob temperatura média de 40 graus em áreas de difícil acesso. O sargento Rocha, segundo o IPM, não considerou as condições climáticas e determinou que os subordinados esvaziassem os cantis com água. Pensão Na época, o Exército negou que tenha ocorrido excesso de esforço físico, informando também que as vítimas haviam realizado exames médicos que comprovavam aptidão para a dura jornada. A Associação de Praças das Forças Armadas (Aprafa) recebeu denúncias de maus-tratos, negligência no socorro aos militares e ainda de coação à tropa para silenciar-se. O IPM foi encaminhado ao Ministério Público Militar, que deve se pronunciar até meados de março se denuncia ou não à Justiça Militar os quatro militares. O advogado Luiz Fernando Jorge adiantou que vai ingressar com ação cível contra a União pedindo indenização às famílias do cabo e do soldado. Também pedirá pensões alimentícia e militar de 3º sargento.

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