Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

CLASSES EMERGENTES

Inflação sob controle ajuda consumo

11 NOV 2010Por Infomoney00h:01

A estabilidade da inflação foi um dos fatores mais importantes para que as classes emergentes brasileiras se tornassem consumidoras ativas. A afirmação é da sócia-fundadora da Tendências Consultoria, Denise de Pasqual, durante o 1º Congresso de Mercados Emergentes.

"No começo da minha carreira trabalhei muito tempo calculando apenas qual seria a inflação da próxima semana, porque ela mudava muito e isso afetava imensamente o poder de consumo das pessoas. Uma família não conseguia planejar quanto iria gastar com produtos de limpeza, por exemplo, no mês seguinte. O poder de compra do salário era muito volátil. Por isso, a estabilidade da inflação foi fundamental. Com ela os preços pararam de variar tão constantemente, e as famílias emergentes ganharam a possibilidade de planejar seus gastos e aumentar seu consumo", afirma.

Denise diz ainda que, obviamente, uma inflação descontrolada traria novamente um cenário em que as classes emergentes teriam mais dificuldade de consumir. "Temos um Banco Central de olho nessa questão e que parece disposto a controlar a inflação. Mas é óbvio que há um risco de elevação. O momento é bom, mas não podemos acreditar em um eterno cenário cor-de-rosa. Há, sim, a possibilidade de vermos a inflação mais alta nos próximos anos. E um país com o histórico inflacionário que o Brasil tem não pode conviver com uma inflação alta".

Fontes de renda
Ainda durante sua apresentação, Denise explicou que a elevação do consumo nas classes C e D se deve também ao aumento da renda dos brasileiros, realidade que pode ser observada nos últimos anos.

"E não estou falando apenas da renda de trabalho. As rendas vindas da aposentadoria e dos programas de transferência de renda, principalmente o Bolsa Família, também têm um peso muito grande na elevação do consumo da classe média. Mas temos que nos atentar que programas de transferência de renda incluíram muitos consumidores nas classes emergentes, mas não mais incluirá, uma vez que o número de pessoas que serão inseridas nesse programa já não é tão grande e não deve crescer tão fortemente como vimos nos últimos anos".

A economista explicou ainda que as rendas provenientes da aposentadoria e programas de transferência de renda são ainda mais importantes para os consumidores das regiões Norte e Nordeste do País. "Temos situações diferentes nesse grande Brasil. Enquanto na região Sudeste essas duas fontes de renda pesam menos no consumo, em outras regiões elas são muito significativas", finaliza.

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