Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

CONSUMIDOR

Inflação em Campo Grande atingiu 6,3% em 2010

6 JAN 2011Por DA REDAÇÃO13h:51

Campo Grande registrou em 2010 inflação acumulada de 6,32%, índice bem acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que era de 4,5%. “Foi o maior índice dos últimos sete anos. Em 2003, a inflação acumulada na Capital chegou a 11,82%”, comenta o professor Celso Correia de Souza, que coordenada o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Universidade Anhanguera-Uniderp, responsável pela pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG)

Segundo a pesquisa, em dezembro, o IPC registrou alta moderada em relação a novembro, chegando a 0,52%. O aumento ocorreu, principalmente, por causa das elevações de preços dos grupos Habitação e Alimentação. “Os aumentos seguidos da carne bovina, finalmente, apresentaram tendência de estabilidade de preços, com alguns cortes já apresentando quedas nos preços”, explica Correia. Dos sete grupos que compõem o IPC/CG, todos apresentaram inflação. O grupo Habitação subiu 0,82%; Alimentação, 0,59%; Vestuário, 0,48%; Saúde, 0,32%; Transportes, 0,29%; Despesas Pessoais, 0,22%; e Educação, 0,04%.

O grupo Habitação foi o que mais contribuiu para a elevação da inflação em dezembro, sendo os principais aumentos registrados nos preços do refrigerador (3,31%), do freezer (3,18%) e da máquina de lavar roupa (2,47%).

“O grupo Alimentação vinha puxando a inflação para cima, por conta das altas de preços da carne bovina. Em dezembro, esses preços começaram a se estabilizar e já não afetam de forma marcante a inflação, como nos meses anteriores. A tendência é que o índice desse grupo volte ao seu ritmo normal, cuja característica é refletir as variações de preços de produtos de acordo com a sua sazonalidade”, fala o coordenador do Nepes. Os produtos com as maiores altas de preços foram: maracujá, com 19,76%; pão para cachorro quente, com 17,66%; filé mignon, com 12,64%; e fígado, com 12,16%.

A pesquisa indicou que no grupo Transportes houve uma pequena alta ocasionada pelo reajuste de preço do etanol (2,81%) e dos automóveis novos (0,99%). Já o grupo de Despesas Pessoais, a pequena inflação ocorreu devido a aumentos, principalmente, nos seguintes produtos: hidratante (3,92%), protetor solar (1,34%) e fio dental (1,29%). No grupo Saúde, se destacaram com reajustes os seguintes itens: material para curativo, com aumento de 2,26%; antidiabético, com 1,98%; e vitamina e fortificante, com 1,47%.

Em dezembro, o grupo Vestuário, registrou altas nos seguintes produtos: camisa masculina (3,33%), lingerie (2,79%) e sapato feminino (1,76%). “Podemos dizer que o grupo Educação apresentou estabilidade em seu índice no mês de dezembro. O reajuste de 0,04% ocorreu devido, principalmente, a aumentos nos preços de artigos de papelaria”, pontua Correia.

Inflação acumulada

“As autoridades têm de estar atentas no sentido de coibir essa tendência de alta inflacionária, que extrapolou o centro da meta para o ano de 2010, não só aumentando os juros, mas também aumentando a produção, já que o problema é um aumento na demanda mundial por alimentos”, destaca o coordenador do Nepes. Segundo o professor Celso, na China 300 milhões de pessoas estão deixando a linha de pobreza e acessando a classe média daquele país, o mesmo ocorrendo com a Índia. “No Brasil são 30 milhões de pessoas chegando à classe média, número semelhante ao da Rússia. Em outros países emergentes ocorrem fatos semelhantes. Assim, a demanda mundial por alimentos só tende a crescer daqui para a frente”, pontua.

O pesquisador do Nepes, José Francisco dos Reis Neto destaca os índices dos grupos durante o ano. “Alimentação foi o que apresentou a maior alta, de 13,78%. Em seguida aparece o grupo Educação, com aumento de 6,25%, Saúde, com 6,03% e Vestuário, com 5,94%. Todos com índices próximos ou acima da inflação acumulada no período, que foi de 6,32%”, ressalta. De acordo com Reis, apenas os grupos Despesas Pessoais, Habitação e Transportes registraram índices abaixo da meta do CMN: 3,48%, 3,09% e 2,41%, respectivamente.

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