quinta, 19 de julho de 2018

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Inflação de 5,91% é a mais alta em seis anos

8 JAN 2011Por Alessandra Saraiva (AE)00h:00

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2010 com uma taxa acumulada de 5,91%, a mais forte elevação para este indicador desde 2004, quando o índice subiu 7,6%. O indicador também ficou acima do centro da meta estipulada pelo Banco Central (BC) para o ano, de 4,5%. Em 2009, o IPCA subiu 4,31%. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA é o índice oficial utilizado pelo BC para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No resultado mensal, o indicador subiu 0,63% em dezembro de 2010, após avançar 0,83% em novembro. A perda de força na inflação do grupo alimentação e bebidas, que passou de 2,22% para 1,32% entre novembro e dezembro do ano passado, foi a principal causa para a desaceleração do IPCA no mesmo período. Segundo o instituto, produtos que haviam impactado novembro com altas expressivas tiveram resultados mais moderados no mês seguinte. No resultado anual, contudo, os alimentos foram os vilões da inflação.

Vilão
Segundo o IBGE, 40% do total do IPCA do ano passado foi originado da inflação dos alimentos, que subiram 10,39% em 2010, após avançarem 3,18% em 2009. Isso representou uma contribuição de 2,34 pontos porcentuais dos alimentos no IPCA de 2010.

Entre os destaques de elevação, o IBGE citou o comportamento de preços dos feijões, que subiram 51,49% em 2010. No entanto, a maior contribuição individual no IPCA de 2010 partiu das carnes, que subiram 29,64% no ano passado, e representaram 0,64 ponto porcentual do resultado total do indicador no período. Com os preços dos alimentos em alta, houve aumento de 10,62% nos preços de refeições fora de casa, que foram a segunda maior contribuição individual para o IPCA do ano passado (0,46 ponto porcentual).

Já os produtos não alimentícios subiram 4,61% em 2010, pouco abaixo da taxa de 4,65% de 2009. O item empregados domésticos mostrou alta de 11,82% em 2010, a principal contribuição entre os não alimentícios e a terceira contribuição individual no IPCA como um todo (0,40 ponto porcentual).

A inflação de 2010 medida pelo IPCA, que subiu 5,91%, foi muito similar à apurada em 2008, quando o indicador avançou 5,90%, disse a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes. Ela comentou que, tanto em 2008 quanto em 2010, houve aumentos expressivos nos preços dos alimentos, que ajudaram a elevar o IPCA.

Ela observou que o ano de 2010 contou com vários fatores que afetaram diretamente a oferta de alimentos, tanto no mercado doméstico quanto no mercado internacional. Lembrou que ocorreram problemas de safra em países produtores em escala mundial, como a Rússia, por exemplo, o que ajudou a elevar os preços de commodities de uma maneira geral, no mundo. Isso contribuiu para puxar para cima a inflação dos alimentos no mercado doméstico em 2010 em produtos relacionados às commodities.

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