Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

alimentos

Inflação de 2010 foi maior para a baixa renda

13 JAN 2011Por Sabrina Valle (AE)00h:00

Arroz, feijão e bife mais caros pesaram no bolso das famílias brasileiras em 2010, especialmente as de baixa renda. A alta no preço dos alimentos, inclusive nos itens que compõem o tradicional prato-feito brasileiro, fez com que a inflação para as famílias que recebem entre 1 e 2,5 salários mínimos medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) fechasse 2010 com alta de 7,33%. O resultado ficou bem acima do de 2009 (3,69%) e só perdeu ligeiramente para o de 2008 (7,37%).

A FGV mostrou que a inflação foi mais pesada para as famílias de baixa renda do que para as mais abastadas. Aquelas que recebem até 33 salários e que dispensam uma proporção menor da renda com comida sentiram uma inflação de 6,24% no ano passado.

Os alimentos compõem 40% do cálculo do IPC-C1 e sofreram, entre outros, com uma alta de 33,9% na carne bovina, 19,2% no arroz e feijão e 25,5% no leite longa vida, todos itens de difícil substituição no cardápio. Passagem de ônibus urbanos, item com maior peso individual no cálculo, também ficou 9,62% mais cara.

Mas os aumentos na alimentação, que foram especialmente fortes no segundo semestre, já mostraram arrefecimento em dezembro e nos primeiros dados coletados de janeiro, segundo o economista da FGV André Braz. A carne, por exemplo, sofreu com abate de reprodutoras, exportações em alta e a seca que diminuiu pastos e forçou a alimentação do gado com ração (mais cara).

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