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Campo Grande - MS, sábado, 15 de dezembro de 2018

Infertilidade feminina

1 MAR 2010Por 04h:17
Muitos casais deparam-se com um fato inesperado quando decidem ter um filho: a infertilidade permanente ou temporária. Normalmente, a mulher que não faz uso de métodos contraceptivos pode levar até 12 meses para engravidar, considerando-se que as chances de sucesso nas tentativas ficam em torno de 20% a 22%, para um casal sem problemas de fertilidade. As possibilidades de uma gravidez natural diminuem de acordo com a idade e começam a se alterar aos 35 anos. “Até esta idade, em princípio, mulheres que utilizam anticoncepcionais orais podem engravidar assim que o uso das pílulas for interrompido. Já os anticoncepcionais injetáveis de aplicação mensal ou trimestral podem ter um efeito cumulativo no organismo”, explica o médico ginecologista e obstetra Joji Ueno, coordenador do Curso Teórico e Prático de Reprodução Humana Assistida, ministrado em São Paulo. Mas, se a gravidez não acontecer em um ano, o casal deve procurar ajuda médica, ou mesmo antes, se houver suspeita de alguma causa de infertilidade. Portanto, antes de desistir do sonho de ter um bebê, é necessário investigar o que pode estar dificultando a gestação. Entre as principais causas que impedem a mulher de engravidar estão: o mioma, a endometriose, a síndrome dos ovários policísticos e a menopausa precoce. Miomas uterinos A literatura médica registra que de 30% a 60% das mulheres em fase reprodutiva apresentam os sintomas, mas o número de portadoras de miomas deve ser maior porque muitas delas são assintomáticas. “Existe uma incidência muito grande de mulheres assintomáticas, que descobrem ser portadoras de mioma uterino, quando procuram o ginecologista para uma consulta de rotina”, afirma o ginecologista Joji Ueno. Geralmente, o primeiro sintoma da presença dos miomas é o aumento do fluxo menstrual. Numa proporção muito pequena, o mioma pode causar infertilidade na mulher. Há casos em que, só depois de ter-se submetido sem sucesso ao tratamento para engravidar durante dois ou três anos, a mulher descobre ser portadora de um mioma que interfere na cavidade endometrial, tornando impossível a gravidez. “Nos quadros de infertilidade, quando a mulher vai pesquisar as causas do problema, a presença de um mioma uterino isoladamente explica 5% dos casos, de 15% a 20% quando associado a outras doenças, como a endometriose, ou a alguma outra moléstia inflamatória pélvica aguda”, diz o médico. Segundo Joji, de acordo com o local em que se instalam, os miomas podem fazer parte do quadro de infertilidade feminina. Os submucosos podem ser causa de abortamento de repetição. Porém, é importante ressaltar que nem sempre a mulher com mioma uterino precisa de tratamento para engravidar. Às vezes, eles são tão pequenos que não atrapalham e não provocam sintomas. São revelados geralmente pela ultrassonografia e demandam o que se chama de tratamento expectante, isto é, o que se limita a observar a evolução do quadro de cada paciente. Síndrome dos ovários policísticos A lterações menstruais constantes constituem-se num sinal de alerta para as mulheres, pois podem indicar a presença da síndrome dos ovários policísticos ou de endometriose. A mulher que apresenta esta síndrome menstrua a cada dois ou três meses e, frequentemente, tem apenas dois ou três episódios de menstruação por ano, alterando obviamente a ovulação. Até os 23 anos de idade, mais ou menos, mulheres com a síndrome podem ovular esporadicamente. Sabe-se que nem todas as menstruações que ocorrem espaçadamente são ovulatórias, mas algumas são, e a mulher consegue engravidar. Essa é uma das patologias mais simples de serem tratadas porque as mulheres, em geral, respondem ao indutor da ovulação mais corriqueiro que existe, o clomifeno. Ele é administrado por via oral, cinco dias por ciclo, a partir do primeiro dia, e é capaz de corrigir as anomalias endócrinas e provocar ovulação. Menopausa precoce A menopausa precoce é causada por um motivo conhecido que marca o fim das funções reprodutivas femininas. É o que acontece com mulheres portadoras de câncer – que se submeteram ao tratamento quimioterápico ou radioterápico, terapias que prejudicam a fertilidade feminina – e com as que tiveram que remover cirurgicamente os ovários. “Tanto a menopausa resultante do processo de extração dos ovários, quanto a que resulta de tratamentos de câncer produzem sintomas intensos de calores e suores, bem como secura vaginal e os demais desconfortos que caracterizam a menopausa porque provocam uma queda brusca na produção hormonal”, explica Joji Ueno. Quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos, sem uma causa aparente, costuma-se identificar o processo como falência ovariana prematura. Os desconfortos da transição hormonal, neste caso, ocorrem gradualmente, como na menopausa natural. Os ciclos menstruais tornam-se irregulares e os demais sintomas e outros distúrbios típicos do desequilíbrio hormonal começam de forma branda e recrudescem, como na fase normal de transição ou perimenopausa. Este problema pode ter causas genéticas ou ser consequência de doenças autoimunes como a artrite reumatóide, o lupus e o diabetes. “As doenças autoimunes levam o organismo a desenvolver anticorpos que, em alguns casos, afetam o sistema reprodutivo e interferem na produção dos hormônios que regulam a ovulação e as demais funções ovarianas”, explica Joji Ueno. A determinação da causa da menopausa prematura é importante para as mulheres que desejam engravidar. O exame físico é útil, seguido por exames complementares, como o de dosagem hormonal e o ultrassom ovariano. Exames de sangue podem ser realizados para se investigar a presença de anticorpos que acarretam danos às glândulas endócrinas – exemplo de doenças autoimunes. Para as mulheres com menos de 30 anos de idade, uma análise dos cromossomos é geralmente realizada. Confirmado o diagnóstico, a regra para tratamento é a terapia de reposição hormonal, a TRH. “O uso da TRH é imprescindível nos casos de menopausa de origem cirúrgica ou provocada por quimioterapia, em virtude da intensidade destes sintomas”, afirma Joji Ueno. Além disto, a menopausa precoce é indicação precisa de TRH, pois essas mulheres apresentam risco quatro vezes maior de desenvolver doenças cardíacas e sete vezes maior de desenvolver osteoporose. Endometriose A endometriose é tema recorrente entre as mulheres porque além de causar dor durante a relação sexual, alterações intestinais durante a menstruação – como diarreia ou dor para evacuar – também está associada às dificuldades para engravidar após um ano de tentativas sem sucesso. Como as cólicas menstruais são ocorrências habituais na vida da mulher, o médico recomenda que a investigação das causas da cólica deve ser feita “quando estas apresentarem resistência a melhorar com remédios ou quando elas incapacitam a mulher para exercer suas atividades normalmente. Pois cólica intensa é o principal sintoma de endometriose e leva à suspeita de que a doença esteja instalada”, diz Joji Ueno. A relação entre a endometriose e a infertilidade feminina pode manifestar-se em alguns casos. Pacientes em estágio avançado da doença e obstrução na tuba uterina que impeça o óvulo de chegar ao espermatozóide têm um fator anatômico que justifica a infertilidade. A lém d i s so, a l gu ma s questões hormonais e imunológicas podem ser a causa para algumas mulheres com quadros mais leves de endometriose não conseguirem engravidar. Após o tratamento, geralmente, após a realização da laparoscopia, uma boa parcela das pacientes consegue engravidar, principalmente as mulheres em que as tubas não tiverem sofrido obstrução. “É por isso que no final da laparoscopia costuma-se injetar contraste pelo canal do colo uterino para ver se ele sai pelas tubas. A caracterização dessa permeabilidade tubária é um ponto a favor de uma gravidez que depende, entretanto, de outros fatores como a função ovariana ou a não-formação de aderências depois da cirurgia, por exemplo”, finaliza Joji.
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