Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Infertilidade feminina

1 MAR 10 - 04h:17
Muitos casais deparam-se com um fato inesperado quando decidem ter um filho: a infertilidade permanente ou temporária. Normalmente, a mulher que não faz uso de métodos contraceptivos pode levar até 12 meses para engravidar, considerando-se que as chances de sucesso nas tentativas ficam em torno de 20% a 22%, para um casal sem problemas de fertilidade. As possibilidades de uma gravidez natural diminuem de acordo com a idade e começam a se alterar aos 35 anos. “Até esta idade, em princípio, mulheres que utilizam anticoncepcionais orais podem engravidar assim que o uso das pílulas for interrompido. Já os anticoncepcionais injetáveis de aplicação mensal ou trimestral podem ter um efeito cumulativo no organismo”, explica o médico ginecologista e obstetra Joji Ueno, coordenador do Curso Teórico e Prático de Reprodução Humana Assistida, ministrado em São Paulo. Mas, se a gravidez não acontecer em um ano, o casal deve procurar ajuda médica, ou mesmo antes, se houver suspeita de alguma causa de infertilidade. Portanto, antes de desistir do sonho de ter um bebê, é necessário investigar o que pode estar dificultando a gestação. Entre as principais causas que impedem a mulher de engravidar estão: o mioma, a endometriose, a síndrome dos ovários policísticos e a menopausa precoce. Miomas uterinos A literatura médica registra que de 30% a 60% das mulheres em fase reprodutiva apresentam os sintomas, mas o número de portadoras de miomas deve ser maior porque muitas delas são assintomáticas. “Existe uma incidência muito grande de mulheres assintomáticas, que descobrem ser portadoras de mioma uterino, quando procuram o ginecologista para uma consulta de rotina”, afirma o ginecologista Joji Ueno. Geralmente, o primeiro sintoma da presença dos miomas é o aumento do fluxo menstrual. Numa proporção muito pequena, o mioma pode causar infertilidade na mulher. Há casos em que, só depois de ter-se submetido sem sucesso ao tratamento para engravidar durante dois ou três anos, a mulher descobre ser portadora de um mioma que interfere na cavidade endometrial, tornando impossível a gravidez. “Nos quadros de infertilidade, quando a mulher vai pesquisar as causas do problema, a presença de um mioma uterino isoladamente explica 5% dos casos, de 15% a 20% quando associado a outras doenças, como a endometriose, ou a alguma outra moléstia inflamatória pélvica aguda”, diz o médico. Segundo Joji, de acordo com o local em que se instalam, os miomas podem fazer parte do quadro de infertilidade feminina. Os submucosos podem ser causa de abortamento de repetição. Porém, é importante ressaltar que nem sempre a mulher com mioma uterino precisa de tratamento para engravidar. Às vezes, eles são tão pequenos que não atrapalham e não provocam sintomas. São revelados geralmente pela ultrassonografia e demandam o que se chama de tratamento expectante, isto é, o que se limita a observar a evolução do quadro de cada paciente. Síndrome dos ovários policísticos A lterações menstruais constantes constituem-se num sinal de alerta para as mulheres, pois podem indicar a presença da síndrome dos ovários policísticos ou de endometriose. A mulher que apresenta esta síndrome menstrua a cada dois ou três meses e, frequentemente, tem apenas dois ou três episódios de menstruação por ano, alterando obviamente a ovulação. Até os 23 anos de idade, mais ou menos, mulheres com a síndrome podem ovular esporadicamente. Sabe-se que nem todas as menstruações que ocorrem espaçadamente são ovulatórias, mas algumas são, e a mulher consegue engravidar. Essa é uma das patologias mais simples de serem tratadas porque as mulheres, em geral, respondem ao indutor da ovulação mais corriqueiro que existe, o clomifeno. Ele é administrado por via oral, cinco dias por ciclo, a partir do primeiro dia, e é capaz de corrigir as anomalias endócrinas e provocar ovulação. Menopausa precoce A menopausa precoce é causada por um motivo conhecido que marca o fim das funções reprodutivas femininas. É o que acontece com mulheres portadoras de câncer – que se submeteram ao tratamento quimioterápico ou radioterápico, terapias que prejudicam a fertilidade feminina – e com as que tiveram que remover cirurgicamente os ovários. “Tanto a menopausa resultante do processo de extração dos ovários, quanto a que resulta de tratamentos de câncer produzem sintomas intensos de calores e suores, bem como secura vaginal e os demais desconfortos que caracterizam a menopausa porque provocam uma queda brusca na produção hormonal”, explica Joji Ueno. Quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos, sem uma causa aparente, costuma-se identificar o processo como falência ovariana prematura. Os desconfortos da transição hormonal, neste caso, ocorrem gradualmente, como na menopausa natural. Os ciclos menstruais tornam-se irregulares e os demais sintomas e outros distúrbios típicos do desequilíbrio hormonal começam de forma branda e recrudescem, como na fase normal de transição ou perimenopausa. Este problema pode ter causas genéticas ou ser consequência de doenças autoimunes como a artrite reumatóide, o lupus e o diabetes. “As doenças autoimunes levam o organismo a desenvolver anticorpos que, em alguns casos, afetam o sistema reprodutivo e interferem na produção dos hormônios que regulam a ovulação e as demais funções ovarianas”, explica Joji Ueno. A determinação da causa da menopausa prematura é importante para as mulheres que desejam engravidar. O exame físico é útil, seguido por exames complementares, como o de dosagem hormonal e o ultrassom ovariano. Exames de sangue podem ser realizados para se investigar a presença de anticorpos que acarretam danos às glândulas endócrinas – exemplo de doenças autoimunes. Para as mulheres com menos de 30 anos de idade, uma análise dos cromossomos é geralmente realizada. Confirmado o diagnóstico, a regra para tratamento é a terapia de reposição hormonal, a TRH. “O uso da TRH é imprescindível nos casos de menopausa de origem cirúrgica ou provocada por quimioterapia, em virtude da intensidade destes sintomas”, afirma Joji Ueno. Além disto, a menopausa precoce é indicação precisa de TRH, pois essas mulheres apresentam risco quatro vezes maior de desenvolver doenças cardíacas e sete vezes maior de desenvolver osteoporose. Endometriose A endometriose é tema recorrente entre as mulheres porque além de causar dor durante a relação sexual, alterações intestinais durante a menstruação – como diarreia ou dor para evacuar – também está associada às dificuldades para engravidar após um ano de tentativas sem sucesso. Como as cólicas menstruais são ocorrências habituais na vida da mulher, o médico recomenda que a investigação das causas da cólica deve ser feita “quando estas apresentarem resistência a melhorar com remédios ou quando elas incapacitam a mulher para exercer suas atividades normalmente. Pois cólica intensa é o principal sintoma de endometriose e leva à suspeita de que a doença esteja instalada”, diz Joji Ueno. A relação entre a endometriose e a infertilidade feminina pode manifestar-se em alguns casos. Pacientes em estágio avançado da doença e obstrução na tuba uterina que impeça o óvulo de chegar ao espermatozóide têm um fator anatômico que justifica a infertilidade. A lém d i s so, a l gu ma s questões hormonais e imunológicas podem ser a causa para algumas mulheres com quadros mais leves de endometriose não conseguirem engravidar. Após o tratamento, geralmente, após a realização da laparoscopia, uma boa parcela das pacientes consegue engravidar, principalmente as mulheres em que as tubas não tiverem sofrido obstrução. “É por isso que no final da laparoscopia costuma-se injetar contraste pelo canal do colo uterino para ver se ele sai pelas tubas. A caracterização dessa permeabilidade tubária é um ponto a favor de uma gravidez que depende, entretanto, de outros fatores como a função ovariana ou a não-formação de aderências depois da cirurgia, por exemplo”, finaliza Joji.
Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Em MS, três deputados e um senador defendem mais verba pública nas eleições
FUNDO PARTIDÁRIO

Em MS, três deputados e um senador defendem mais verba pública nas eleições

Com mais prazo, obra do Aquário fica longe do fim
PARADA

Com mais prazo, obra
do Aquário fica longe do fim

Excesso de emendas desfigura reforma da previdência
SERVIÇO PÚBLICO

Excesso de emendas desfigura reforma da previdência

Prefeitura garante pagamento do 13º salário no dia 20
SERVIDORES MUNICIPAIS

Prefeitura garante pagamento do 13º salário no dia 20

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião