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Indústria começa ano pressionada por aumento de custos

24 JAN 10 - 06h:40MÁRCIA DE CHIARA, (AE)
Antes mesmo do anúncio oficial da compra da Quattor pela Braskem, ocorrido na sexta- feira dando origem à oitava maior petroquímica do mundo e a primeira nas Américas, a indústria já atribuía os reajustes de preços entre 6% e 10% do polietileno e do polipropileno à formação desse grande monopólio na produção de resinas plásticas. Mundialmente, dizem fabricantes de bens duráveis, há ociosidade na indústria petroquímica e grande oferta de resinas. Portanto, essa condição de mercado não justificaria elevação de preço. De acordo com duas grandes indústrias compradoras de resinas que não querem ser identificadas, o preço pedido da tonelada de polipropileno passou de R$ 3,5 mil em dezembro para R$ 3,7 mil este mês. Procuradas pela reportagem, a Quattor informou que não comentaria os aumentos. A diretoria da Braskem, em meio ao anúncio da compra da concorrente, não teve disponibilidade para atender a reportagem na sexta. O polipropileno e o polietileno são matérias-primas presentes na fabricação da maioria dos bens duráveis e não duráveis. Do gabinete da TV ao parachoque de carro, passando pela embalagem do biscoito, todos esses itens contêm resinas. O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, confirma que a montadora negocia com os fornecedores de polipropileno reajustes de preços nesse início de ano. Segundo ele, caso o preço aumente muito, a empresa não descarta a possibilidade de avaliar a importação da matéria-prima. Segundo outra indústria consumidora de resina, importar o produto é economicamente inviável por causa do custo elevado. Um dos motivos do encarecimento das resinas compradas no exterior é o Imposto de Importação que está hoje em 14%. Além disso, os fornecedores que poderiam garantir regularidade no fornecimento da resina, como os países do Oriente Médio e os Estados Unidos, ficam muito distantes, o que encarece o frete e o preço final. Schmall ressalta que, no caso do aço, a Volkswagen já usou a importação para conter reajuste de preço. No ano passado, a empresa importou o equivalente a 20% de todo o aço usado na produção dos veículos da marca. O aço vem principalmente da China e da Índia, “e chega ao País pouco mais barato que o nacional”, diz Schmall. Em dezembro, a Volks foi notificada por fornecedores de aço por causa de reajustes de 7% a 10% e teve de negociar o aumento. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ameaçou com a volta da redução do Imposto de Importação. Hoje a alíquota vai até 12%. Mesmo sem a redução do imposto, é possível importar aço 8% mais barato que o nacional, nas contas do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A indústria de autopeças é outra que se diz pressionada com novos aumentos de preços em diversas matérias-primas. As duas gigantes da siderurgia não confirmam os aumentos de preços do aço. “Não existe nenhum aumento no preço do aço em janeiro”, informa a Usiminas por meio de comunicado. A CSN diz, por meio de sua assessoria, que não comenta a questão. O Instituto Aço Brasil (IABr) alegou falta de agenda do porta-voz para esclarecer a pressão por aumentos. Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), que reúne os maiores fabricantes de eletrodomésticos e eletroeletrônicos de consumo do País, confirma que os seus associados sentem pressões por reajustes de preços neste início de ano em aço, resinas e cobre. O preço do cobre, usado na maioria dos aparelhos elétricos, subiu 9% em reais nos últimos 30 dias, segundo o presidente da Associação Brasileira do Cobre (ABC), Sergio Aredes. Ele atribui o movimento à elevação dos preços no mercado internacional em razão do aumento da demanda da China e demais países asiáticos e da especulação que está ocorrendo no mercado de commodities. De acordo com Aredes, menos de 2% da alta do preço do cobre tem sido repassada para os compradores de fios, cabos, chapas e barras de cobre. “Está difícil repassar a alta de custos para os preços”, afirma Aredes. Com isso, diz ele, a indústria do cobre tem de absorver a maior parte dos aumentos de preços do mercado externo, abrindo mão das margens de comercialização. (COLABOROU CLEIDE SILVA)
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