Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

FALSO TESTEMUNHO

Índios mudaram versão sobre a morte do líder Veron

Índios mudaram versão sobre a morte do líder Veron
02/08/2012 15:32 - VÂNYA SANTOS


Indígenas que mudaram sua versão sobre a morte do cacique Marcos Veron em troca de vantagens oferecidas por proprietários rurais agora responderão por falso testemunho em ação penal. A denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul contra um fazendeiro, dois índios e um funcionário rural foi aceita pela Justiça Federal de Dourados.

O crime aconteceu em março de 2005, quando um proprietário rural procurou testemunhas do ataque à comunidade indígena Takuara para que, em troca de moto, caminhonete, dinheiro, casa e até mesmo cestas básicas, assinassem documentos que alteravam as declarações feitas à Policia Federal. O fazendeiro e um funcionário “compraram” os novos depoimentos de três indígenas, sendo um adolescente.

Após ser procurado três vezes pelo fazendeiro, uma das vítimas do ataque denunciou a negociação ao MPF. Ao entrar em contato com a vítima, o proprietário rural disse que sabia das dificuldades enfrentadas por ela e se ofereceu para ajudá-la. Ele também ofereceu um “retorno” para que a vítima ajudasse a tirar os “três coitados”, que estavam presos. Os “coitados” a quem o fazendeiro se referia eram Jorge Insabralde, Estevão Romero e Carlos Roberto dos Santos, condenados pela participação na morte do cacique.

Dos quatro índios que receberam a proposta, três aceitaram os favores. As novas declarações assinadas pelos índios em quase tudo diferem dos termos prestados no dia seguinte ao ataque. O proprietário rural e seu funcionário responderão por quatro tentativas de oferecer vantagem a testemunha para fazer afirmação falsa em depoimento policial, cuja pena varia de 3 a 21 anos de prisão e multa. Já os índios responderão por fazer afirmação falsa em inquérito judicial, que prevê prisão de 1 a 4 anos e multa.

Ataque
Acampados na Fazenda Brasília do Sul, em Juti, região sul do Estado, na área reivindicada por eles como Tekohá Takuara, os kaiowá sofreram ataques nos dias 12 e 13 de janeiro de 2003 por um grupo de 30 a 40 homens armados, que foram contratados para agredi-los e expulsá-los das terras.

No dia 12, um veículo dos indígenas com 2 mulheres, um rapaz de 14 anos e 3 crianças de 6, 7 e 11 anos foi perseguido por 8 km, sob tiros.

Na madrugada do dia 13, os agressores atacaram o acampamento a bala. Sete índios foram sequestrados, amarrados na carroceria de uma camionete e levados para local distante da fazenda, onde passaram por sessão de tortura. Um dos filhos de Veron, Ládio, quase foi queimado vivo. A filha dele, Geisabel, grávida de sete meses, foi arrastada pelos cabelos e espancada. Marcos Veron, à época com 73 anos, foi agredido com socos, pontapés e coronhadas de espingarda na cabeça. Ele morreu por traumatismo craniano. 

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!