Cidades

Sidrolândia

Índio baleado chega à Santa Casa

Índio baleado chega à Santa Casa

Gabriel Maymone e Patrícia Belarmino

04/06/2013 - 18h01
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O indígena da etnia Terena Joziel Gabriel Alves, de 34 anos - primo de Oziel Gabriel, morto em confronto na última quinta-feira (30), foi baleado nas costas em conflito entre índios e funcionários da Fazenda São Sebastião, por volta das 16h30min, em Sidrolândia (MS). Ele chegou a ser atendido no Hospital Elmiria Silvério Barbosa e chegou por volta das 18h52min na Santa Casa de Campo Grande, em estado grave. Ele chegou acompanhado do irmão, que entrou sem falar com a imprensa.

Segundo informações, a vítima não está sentindo as pernas, mas está consciente. Joziel teria dito apenas que viu uma caminhonete de cor prata no momento dos disparos.

Conforme o proprietário da fazenda, Guilherme Côrrea, ele cria gado na área e vai tentar retirá-los do local amanhã. Ele não informou a quantidade de cabeças de gado possui. Ainda conforme o fazendeiro, ele não viu a invasão, pois não estava no local no momento, mas relata que um funcionário saiu correndo para buscar refúgio na propriedade vizinha. Ele disse que há indícios de fumaça vindo da propriedade, mas não sabe dizer que os índios atearam fogo.

A área faz parte dos 17,2 mil hectares reivindicados pelos indígenas, mas, segundo o proprietário da terra, nunca havia sido invadida.

Pelo menos 300 índios terena da Aldeia Buriti, em Dois Irmãos do Buriti, estão neste momento concentrados na entrada da Fazenda São Sebastião de 1.500 hectares. Eles chegaram na propriedade à tarde e teriam sido recebidos a bala pelos funcionários, conforme informações fornecidas por moradores da comunidade.

Em instantes mais informações.

*Editada às 19h15min para acréscimo de informações

hospital

Novo gestor tem missão de reduzir em 20% folha de R$ 16 milhões da Santa Casa

Corte está relacionado aos funcionários que atuam no regime de CLT; porcentual deverá ser reduzido nos próximos 6 meses

02/10/2026 08h20

Luiz Alberto Kanamura assumiu a Santa Casa na semana passada

Luiz Alberto Kanamura assumiu a Santa Casa na semana passada Marcelo Victor/Correio do Estado

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Conduzido ao cargo de gestor da Santa Casa de Campo Grande depois de escândalos de corrupção que resultaram no afastamento de 19 membros da diretoria corporativa e do conselho, Luiz Alberto Kanamura tem o objetivo de reduzir em 20% a folha de pagamento do hospital, que hoje gira em torno de R$ 16 milhões, visando frear a crise financeira que afeta a instituição há anos.

Na semana passada, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, assinou a decisão que afastou imediatamente 19 membros da diretoria corporativa e do conselho de administração e colocou Kanamura no comando do hospital, inicialmente pelo período de 180 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo tempo em caso de necessidade.

Desde então, reuniões com entes públicos estão ocorrendo, para alinhar as primeiras ações da nova diretoria. Segundo apuração do Correio do Estado, um dos acordos pactuados é que o novo gestor terá de reduzir em 20% a folha de pagamento do hospital, visando cortar gastos diante da crise financeira que a instituição enfrenta. 

Esse corte, no entanto, visa os funcionários que atuam no regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e não engloba os contratados pessoas jurídicas (PJ).
Participaram desta reunião o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

“Ontem [quarta-feira] nós fomos apresentar o resultado da primeira semana. Baseado nesse diagnóstico, traçar algum rumo para desenvolver um tipo de planejamento estratégico e orçamentário para sair disso [crise financeira], que envolva pelo menos uns seis meses. O foco está no paciente, eles esperam que no mínimo a gente tente evitar dano para o paciente”, relatou Kanamura à reportagem.

Ainda conforme apurou o Correio do Estado, alguns nomes estão sendo afastados pela atual gestão, o que se reflete diretamente no objetivo de cortar os gastos.

“O que nós temos que fazer é adequar a operação. Isso vai causar um impacto financeiro, reduzir o custo operacional e, consequentemente, o deficit de fluxo de caixa deve zerar em um determinado tempo. E nós apresentamos ao Ministério Público uma estimativa de tempo. Estimativa não significa que nós temos o plano de trabalho pronto, é o nosso objetivo, é a nossa meta”, disse.

Vale lembrar que uma das obrigações impostas pela Justiça ao novo gestor é que apresente, mensalmente, prestação de contas e informações atualizadas da situação administrativa, contábil e operacional da instituição, contendo a “aplicação dos recursos públicos e privados pela entidade, das despesas realizadas, dos contratos celebrados ou mantidos, das medidas implementadas para a regularização da gestão e da continuidade dos serviços de saúde”.

Além disso, o juiz também listou 17 obrigações que Kanamura terá de cumprir ao longo deste período na cadeira. Uma delas é a “proibição de contrair empréstimos bancários”, uma decisão que faz sentido ao levar em consideração os balanços financeiros da instituição nos últimos anos.

Para se ter uma ideia, no balanço de 2025, divulgado em julho deste ano, os empréstimos somaram mais de R$ 261,7 milhões e a taxa de juros chegava a 1,85% ao mês. Essa taxa de juros ajuda a explicar o constante endividamento e os seguidos deficit do maior hospital do Estado.

Em 2024, por exemplo, o deficit havia sido da ordem de R$ 98,3 milhões. O deficit acumulado, segundo o balanço do hospital, supera os R$ 544 milhões. Somente os impostos em atraso, todos parcelados, somam
R$ 189,817 milhões.

“Eu acho que o juiz foi muito feliz quando ele nos vetou a possibilidade de contrair empréstimo. Não significa que eles não vão ser feitos, mas não vão ser feitos por nós. Ou seja, qualquer coisa que seja feita, o Poder Judiciário, o Município e o Estado vão estar participando e vão estar decidindo sobre isso. Ou seja, os entes e quem hoje está prestando esse tipo de controladoria, que é o Judiciário, vão permitir ou não fazer isso”, explica.

Por fim, Kanamura afirma que uma auditoria externa será realizada e que todos os documentos serão divulgados ao fim desse processo. Além disso, o novo gestor disse que a Controladoria-Geral da União (CGU) também foi convidada para fazer uma auditoria independente nos recursos do hospital.

ESCÂNDALO 

No dia 11 de setembro, as equipes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Antidotum, com o cumprimento de 6 mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

A investigação apontou desvio milionário em dois contratos para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, enquanto a instituição alegava que não tinha mais condições de operar, em função das dívidas financeiras. Somados, teriam sido desviados cerca de R$ 4,9 milhões nos dois acordos.

Diante disso, Alir Terra, presidente da Santa Casa desde 2022, Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo, e Rinaldo Halme Romano, diretor financeiro, foram presos.

Porém, quase duas semanas depois da operação, a Justiça determinou o afastamento de 19 membros da diretoria corporativa e do conselho de administração, além da supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same) do hospital, que ficará sob gestão provisória.

Os diretores corporativos destituídos são: Alir Terra (que era a presidente e segue presa); Heitor Miguel Scheibeler (presidente em exercício); Ivan Araújo Brandão (vice-presidente); Valdir Osvaldo Júnior (diretor-secretário); Marcos Alceu da Silva Villalba (diretor de finanças); e Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa (diretor de finanças-adjunto e também foi preso no início de setembro).

Além do afastamento imediato, o juiz determinou que esses nomes não sejam reconduzidos em novas eleições, visto que “o estatuto da Santa Casa não prevê causas de afastamento da diretoria ou proibição de sua recondução”. 

Eles também estão proibidos de acessar as dependências do complexo hospitalar e da operadora Santa Casa Saúde Ltda.

Um dos afastados do conselho de administração é Heitor Rodrigues Freire, que assumiria a presidência do hospital no dia 28 de setembro, como anunciado em cerimônia oficial realizada horas antes da decisão judicial.

CONDENAÇÃO

Comerciante de Corumbá é condenado por homicídio duplamente qualificado

O autor do crime matou um homem após este cobrar uma dívida de R$ 5 mil e exigir o pagamento através do abatimento de mercadorias no estabelecimento

02/10/2026 08h15

A pena estabelecida é de 17 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão imediata em regime fechado e o pagamento de R$ 30 mil à família da vítima

A pena estabelecida é de 17 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão imediata em regime fechado e o pagamento de R$ 30 mil à família da vítima Divulgação: MPMS

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O Tribunal do Júri acolheu a acusação feita pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e condenou o comerciante Daniel Carlos Pereira à pena de 17 anos de reclusão pelo crime de homicídio duplamente qualificado.

A Justiça reconheceu as qualificadoras de motivo fútil e de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além da pena de 17 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão imediata em regime inicial fechado, o juiz também determinou o pagamento de R$ 30 mil a título de reparação à família da vítima.

O crime ocorreu em fevereiro de 2020, no município de Corumbá. Na ocasião, a vítima, Luciano Carlos de Jesus, foi atingida por disparos de arma de fogo após uma discussão relacionada ao pagamento de uma dívida de R$ 5 mil reais, decorrentes da compra de um imóvel, que vinha sendo quitada através da retirada de mantimentos em um estabelecimento comercial.

Daniel Carlos era o devedor de Luciano e o comerciante se recusou a autorizar o abatimento da dívida mediante a retirada de carnes em seu estabelecimento, o que resultou em uma discussão que evoluiu para disparos contra a vítima.

Mesmo durante a tentativa de fuga de Luciano, Carlos o perseguiu e efetuou novos disparos. O MPMS entende que esta atitude demonstrou frieza e desrespeito à vida humana.

Embora os advogados de defesa tenham alegado legítima defesa diante de um suposto ato da vítima de levar a mão à cintura com o intuito de sacar uma arma, a tese foi invalidada pelo promotor substituto Francisco de Salles Neto, que evidenciou que o ofendido estava desarmado e foi baleado pelas costas ao tentar escapar, fato corroborado pela perícia necroscópica e por imagens de segurança, elementos probatórios que garantiram a preservação de todas as qualificadoras perante o Tribunal do Júri.

Prisão domiciliar barrada

Logo após o crime e a decretação de sua prisão preventiva, em março de 2020, Daniel Carlos fugiu e permaneceu foragido por quase cinco anos, vindo a ser capturado apenas em janeiro de 2025, na Paraíba.

Em segunda instância, a defesa tentou a prisão domiciliar alegando quadro depressivo grave, a qual foi negada pelo parecer do procurador de justiça André Antônio Camargo Lorenzoni, que comprovou que o preso recebe atendimento médico adequado na prisão. 

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