terça, 17 de julho de 2018

CULTURA

Indígenas de Dourados são premiados

23 DEZ 2010Por DOURADOS AGORA09h:25

Grupo da Ação dos Jovens Indígenas (AJI) de Dourados conquistou o segundo lugar na 3ª edição do Prêmio Cultura Viva. Finalistas e vencedores foram anunciados em evento realizado no Rio de Janeiro, na semana passada, que reuniu várias autoridades, dentre elas a secretária de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, Eliane Costa, e a gerente de patrocínios da Petrobras, Maria do Carmo Brant de Carvalho.

Mais de 1.800 candidatos concorreram ao prêmio que nesta edição estava dividido em quatro categorias: Gestor Público, Grupo Informal, Organização da Sociedade Civil e Ponto de Cultura. O primeiro lugar de cada uma delas levou para casa a quantia de R$ 40.000,00; o 2º R$ 25.000,00; e o 3º lugar R$ 15.000,00.

O AJI estava inscrito na categoria Organização da Sociedade Civil, com o projeto “Áudio-visual”. É a primeira vez que eles participam de um prêmio nacional. “Não esperávamos essa conquista. Não levamos o primeiro lugar, mas a segunda classificação mostra que estamos no caminho certo, na promoção e desenvolvimento de atividades afirmativas com os jovens indígenas de Dourados”, disse a coordenadora do Grupo AJI, a professora Maria de Lourdes Beldi de Alcântara, da USP. Há dez anos, quando chegou a Dourados, ela conheceu a reserva Indígena e passou a trabalhar com os jovens.

O Prêmio Cultura Viva, idealizado pelo Ministério da Cultura (Minc), com patrocínio da Petrobras e coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), tem como objetivo mobilizar, reconhecer e divulgar práticas culturais realizadas em todo o país. Com o tema Cultura e Comunicação, a 3ª edição contemplou iniciativas que articulam cultura e comunicação no campo das artes e do patrimônio cultural.

Os grupos que concorreram coma AJI eram em sua maioria formados por profissionais liberais e ONGs que desenvolvem trabalhos nas comunidades (favelas) do Rio de Janeiro. Dentre os quase dois mil inscritos só havia um que era voltado aos povos indígenas: AJI.

Ana Cláudia de Souza, que juntamente à coordenadora Maria de Lourdes foi receber o prêmio no Rio, conta que a felicidade do grupo é tão grande que só traz mais orgulho e motivação para se dedicar ao projeto de áudio-visual - oficina de fotografia e de produção e edição de vídeos. “Hoje eu sou instrutora e ensino aquilo que aprendi para os mais jovens. Sei o quanto não é fácil desenvolver um trabalho desse na aldeia, mas com muita garra estamos vencendo, rompendo barreiras”, disse a jovem indígena.

As oficinas de áudio-visual do AJI começaram no ano 2000 e aos poucos foram conquistando espaço e atraindo alunos indígenas a participar das ações. Por ano o AJI atende uma média de 100 alunos. No período que não estão na escola participam das oficinas, que também contempla aula de informática.

Voz dos índios

O projeto áudio-visual do AJI é uma espécie de voz dos jovens indígenas de Dourados. Por meio dele o grupo mantém um jornal impresso de circulação bimensal e um blog, atualizado semanalmente. Todo o projeto visual do jornal, as fotos e textos são feitas pelos alunos que participam do projeto. Eles contam com o apoio de uma jornalista, que dá dicas e edita o conteúdo para que ele fique no formato jornalístico.

A indígena Jaqueline Gonçalves é responsável pelo blog. Ela também escreve para o jornal e diz que é somente desta forma que os jovens indígenas encontram uma forma de se expressar. “Trabalhamos com diferentes conteúdos que envolvem a comunidade indígena, seja problema familiar, drogas, bebida, meio ambiente, enfim, tudo aquilo que está relacionado ao nosso meio”, explica a instrutora do AJI. Ela concluiu os cursos do projeto e hoje é multiplicadora das atividades de comunicação e educação do AJI.

Quem também é instrutor é o Emerson Machado. Ele relata que as ações do AJI mostram a força dos jovens indígenas. “Tudo o que fazemos é para o bem-estar da nossa comunidade e ter um espaço para a gente se comunicar é muito importante”, disse se referindo ao jornal impresso, que é distribuído dentro da aldeia e serve de material didático nas escolas.

O AJI já produziu cinco vídeos de curta-metragem, dois livros que retratam a realidade indígena por meio de fotos e uma cartilha sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

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