Segunda, 18 de Dezembro de 2017

BOATE KISS

Indiciados por tragédia em
Santa Maria seguem em liberdade

27 JAN 2014Por band08h:15

Todos os indiciados nos processos criminal e militar do incêndio que matou 242 jovens na boate Kiss, em Santa Maria, em janeiro de 2013, seguem em liberdade. O processo, que tramita na Justiça há um ano, segue em fase de depoimentos – testemunhas devem ser chamadas para esclarecer o incêndio na casa noturna até, pelo menos, o meio do ano, segundo o juiz Ulysses Fonseca Louzada. A tragédia completa um ano nesta segunda-feira.

 

 

No processo criminal, oito pessoas foram indiciadas: os dois sócios da boate, Elissandro Spohr, o Kiko, e Mauro Londero Hoffmann; dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Leão (os quatro respondem por homicídio qualificado com dolo eventual); o major do Corpo de Bombeiros Gerson da Rosa Pereira, do 4º Comando Regional de Santa Maria e o sargento Renan Severo Berleze foram indiciados por fraude processual; o ex-sócio da boate, Elton Uroda, e o contador da balada, Volmir Panzer, respondem por falso testemunho.

 

O processo militar também indiciou oito pessoas. O chefe regional da Defesa Civil, Daniel da Silva Adriano (falsidade ideológica); Moisés da Silva Fuchs (falsidade ideológica e prevaricação); o capitão Alex da Rocha Camillo (falsidade ideológica); os sargentos Renan Severo Berleze e Sérgio Roberto Oliveira de Andrades, além dos soldados Gilson Martins Dias, Vagner Guimarães Coelho e Marcos Vinícius Lopes Bastide responderão por inobservância da lei.

 

 

O caso

Um incêndio matou 242 pessoas que participavam de uma festa na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro de 2013.

 

Na ocasião, houve uma apresentação da banda “Gurizada Fandangueira”, que utilizou um sinalizador no ambiente fechado. Faíscas do produto acabaram atingindo a espuma que fazia o isolamento acústico do local.

 

Os frequentadores da boate acabaram inalando uma fumaça tóxica e tiveram dificuldades para deixar o local com saídas de emergência bloqueadas.

 

De acordo com testemunhas, o fogo teve início por volta das 2h30 de domingo. Com a fumaça, as vítimas não enxergaram a saída. Desnorteadas, algumas chegaram a entrar nos banheiros do estabelecimento, onde acabaram encurraladas.

 

 

Jovens que conseguiram sair da boate retornaram na tentativa de resgatar as pessoas que não conseguiam deixar o local. Com apenas uma saída de emergência no local, algumas pessoas foram pisoteadas, tomadas pelo desespero de sair o mais rápido possível da boate.

 

Segundo um dos sobreviventes, os seguranças da boate Kiss formaram uma barreira para não deixar os jovens saírem por acharem que se tratasse apenas de um tumulto.

 

 

Os feridos foram levados ao Hospital Universitário de Santa Maria, onde fizeram tratamento para expelir a fuligem acumulada nos pulmões. Contando o número de jovens que morreram na balada e após a tragédia no hospital, 242 pessoas faleceram e centenas ficaram feridos.

 

 

Em homenagem às vítimas, cerca de 10 mil pessoas participaram de uma passeata pela paz na cidade, dias após a tragédia. A presidente Dilma Rousseff cancelou uma viagem para o Chile e regressou para o Brasil. Ela se emocionou ao falar sobre o incêndio. "Eu queria dizer à população do nosso país e de Santa Maria o quanto, nesse momento de tristeza, estamos juntos. E necessariamente iremos superar, mantendo a tristeza", disse a presidente.

 

 

Após o acontecimento na boate, a fiscalização foi intensificada, com o fechamento de estabelecimentos irregulares e desencadeou um debate em torno da segurança nas casas noturnas no Brasil. A maioria dos bares foram lacrados por falta de documentos.

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