Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

GUERRA INTERNA

Indefinido o destino dos aliados derrotados

15 NOV 2010Por Brasília02h:30

Derrotados nas eleições ou prestes a perder os cargos que ocupam, políticos e titulares de Executivos estaduais repetem hoje a situação dos comissionados que, na troca de comando, não sabem onde vão parar. Se tivessem de usar um classificado pedindo emprego no Governo Dilma Rousseff, duas dezenas desses aliados figurariam como candidatos com experiência, bem apadrinhados e com serviços prestados na gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

Hoje, a maioria deles disfarça tanto quanto pode a negociação em torno do loteamento de cargos. Mas a articulação dos presidentes dos partidos mostra a dificuldade em acomodar nos 37 ministérios e nas estatais pelos menos dez vezes mais nomes que o necessário.

Encarregado por Dilma de ouvir os dirigentes dos 11 partidos ligados ao Planalto, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, um dos coordenadores da equipe de transição, avisa que as conversas para as nomeações estão em fase preliminar. "Ouvi a todos e assim que a presidente me convocar, tenho condições de tratar do panorama global do que pensam os partidos", afirma. "São conversas preliminares, os presidentes falam em nomes e pastas, mas eu não vou mencionar os nomes", desconversa.

‘Nada, nada, nada’
Ex-ministro da Integração Nacional, o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), derrotado na disputa ao Governo da Bahia, se exclui da lista de candidatos. "Perdi a eleição, não importa o porquê, tenho mais medo do ridículo que da morte, não estou procurando cargo", afirma. "Nada, nada, nada, nada e nem meu nome foi cogitado", reforça.

Ex-presidente do PT, o deputado José Genoino (SP) tenta escapar até mesmo da pergunta sobre seu futuro. "Não vou entrar nessa, eu sei o que vocês querem, não estou querendo nada, não estou sabendo de nada, não estou conversando sobre nada e não me queime", disse. "O que eu sei é que vou exercer meu mandato até 31 de janeiro".

O medo de desagradar à presidente eleita ou de "se queimar", como afirma Genoino, leva os candidatos até a desviar a conversa. O ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB), por exemplo, em vez de confirmar ou negar sua vontade de voltar para a pasta, sugeriu que o assunto fosse resolvido no seu gabinete. "Passa lá no meu gabinete e resolve com meu pessoal". Ele e outros aspirantes ao primeiro escalão ainda não retomaram as atividades no Congresso.

Mercadante
A lista de candidatos — declarados ou não — não atende à vontade de Dilma de aumentar a participação feminina no governo. Apenas duas de suas aliadas estão na lista das nomeáveis: a ex-líder do PT e do bloco, senadora Ideli Salvatti (SC) e a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT).

Derrotada na eleição ao governo de seu Estado, Ideli tem no currículo um mandato inteiro no Senado atendendo ao Governo Lula. Já Ana Júlia corre o risco de ser barrada pela repercussão nacional obtida pela sua decisão de contratar com dinheiro público do Estado sua cabeleireira e sua manicure.

Fundador do PT, o senador Aloizio Mercadante (SP), garante que a derrota ao Governo de São Paulo não faz dele um aspirante a cargo no Governo Dilma. "Meu papel é encerrar minha atividade como líder do bloco e do PT, minha meta, agora, é voltar a dar aulas de economia na Universidade de Campinas (Unicamp) e na Católica (PUC). Meu compromisso é ser militante e professor", garantiu Mercadante.

Outro que ficará sem o mandato de senador, Osmar Dias (PDT-PR), também vencido na disputa ao governo de seu Estado, afirmou que, como agricultor, voltará a exercer a profissão de agrônomo. "Não fiz nenhuma exigência, cumpri meu dever".

Dias disse que ninguém o procurou depois do segundo turno. O mesmo se deu com o deputado Paulo Delgado (PT-MG), sociólogo e ex-secretário de Relações Exteriores do PT. "Não tenho muitas expectativas, essas coisas não se pleiteia, eu não sei como será o formato do governo", desconversou.

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