sexta, 20 de julho de 2018

Incidência de diabete subirá 54% até 2030

14 NOV 2010Por ESTADÃO13h:22

Nos Estados Unidos, em 2050, segundo previsões de autoridades de saúde, praticamente todas as famílias do país terão alguém com diabete. Ao todo, um terço dos americanos adultos será portador dessa condição, já descrita por especialistas como a doença do século 21. Para complicar, a incidência do tipo 2, denominado no passado de diabete do adulto, tem aumentado em crianças e jovens.

Estima-se que, no mundo, o crescimento nos próximos 20 anos deverá ser de 54%, segundo a Federação Internacional de Diabete. De 284 milhões, o total de portadores subir para 439 milhões até 2030.

Ironicamente, a concentração no aumento de casos deve se dar em países emergentes como o Brasil, segundo Roger Mazze, diretor do Centro Internacional de Diabete e um dos mais conceituados especialistas dos Estados Unidos. Para Antonio Carlos Lerário, da Sociedade Brasileira de Diabete, isso é explicado pelo aumento do poder aquisitivo da população dos países em desenvolvimento e pela mudança no estilo de vida, hoje mais urbano.

Nos EUA, a epidemia de diabete é acompanhada de perto por governo, mídia e população. A Sociedade Histórica de Nova York abriu uma concorrida exposição para contar a história da insulina, essencial no tratamento.

Apesar dos avanços no tratamento do controle do açúcar sanguíneo (a doença não tem cura), o número de pessoas com diabete deve aumentar nos EUA do atual patamar de 1 em cada 10 adultos para 1 em cada 3 nas próximas quatro décadas. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, as causas podem ser várias. Em primeiro lugar, o envelhecimento da população tende a se acentuar. E faixas etárias mais elevadas correm mais riscos de desenvolver o diabete. O segundo motivo é o crescimento de minorias como a hispânica, que, segundo pesquisas, possuem mais predisposição de desenvolver a doença. Por último, os portadores do diabete, com os novos medicamentos, conseguirão viver mais tempo. Os médicos acrescentam a obesidade como uma das maiores responsáveis pelo diabete.

Essa possibilidade de sobreviver por décadas caso o tratamento seja correto leva muitos a não enxergar a doença como sendo tão grave quanto o câncer. "As pessoas pensam que o diabetes não mata. Mas se esquecem de que ela pode levar à morte por problemas no coração e renais, caso não seja controlada. Sem falar em outras consequências, como perda da visão e amputações", disse Mazze.

Por enquanto, a possibilidade de cura está descartada. Talvez, com as pesquisas genéticas, possa haver alguma perspectiva a longo prazo. O objetivo, com os novos remédios, é melhorar o tratamento e possibilitar uma vida relativamente normal.

Mais importante, segundo Mazze, é a prevenção. Embora o principal fator de risco para o diabete tipo 2 seja genético, precauções podem ser tomadas. "Controle o peso, alimente-se com produtos saudáveis e faça exercícios", recomenda Mazze. Francine Kaufman, da Universidade do Sul da Califórnia e ex-presidente da Associação Americana de Diabete, acrescenta que é preciso "distanciar nossas crianças do fast-food".

Esse objetivo não tem sido fácil nos EUA e o tema está em pauta há décadas. O presidente John Kennedy disse nos anos 1960 que os americanos formavam uma nação que não se exercita. "Nós assistimos, em vez de praticar esportes. Não andamos. Não fazemos o mínimo de atividade física para ter uma vida saudável. Acho que não há nada pior que crianças obesas que vão assistir a suas escolas jogar basquete no sábado e acham que esse é o exercício da semana", afirmou.

A esperança é de que, daqui 40 anos, o cenário melhore e as previsões sombrias do governo americano para o diabete não se realizem.


Leia Também