Terça, 20 de Fevereiro de 2018

EM SANTIAGO

Incêndio em prisão do Chile deixa pelo menos 81 mortos

9 DEZ 2010Por AGÊNCIA ESTADO, SANTIAGO04h:40

Um grande incêndio na prisão de San Miguel, no Chile, matou 81 presos ontem. Outras 21 pessoas, entre detentos e guardas, ficaram feridas e estão hospitalizadas, segundo o presidente do Chile, Sebastian Piñera. Mais cedo, o mandatário chileno havia dito que o incêndio matou 83 detentos, mas o governador de Santiago, Fernando Echeverria, precisou que 81 presos foram mortos. Segundo o diário chileno El Mercurio, foi um lança-chamas artesanal, fabricado pelos detentos com um cilindro de gás butano, que provocou o incêndio

O incêndio começou por volta das 4h (hora local) de ontem, após uma briga entre os presos. A superlotação contribuiu para o alto número de mortos, segundo o presidente. No presídio estavam detidos presos condenados a longas penas e presos com penas muito curtas, condenados por delitos leves.

O fogo ocorreu apenas no quarto andar da prisão San Miguel, localizada na região metropolitana da capital, Santiago. Piñera reconheceu o problema e notou que ele é antigo. O presidente não descartou que o número de mortos possa subir, pois há 14 feridos em estado grave. O próprio Piñera reconheceu que as condições do presídio eram "desumanas". A prisão tinha apenas 26 guardas e seis carcereiros

A prisão foi projetada para receber cerca de mil presos, mas estavam cumprindo pena no local quase 2 mil pessoas. A superlotação é um problema comum nas prisões chilenas, e o governo tem construído prisões durante anos. Há atualmente 30 mil vagas nas prisões do Chile, mas 53 mil detentos.

Em outubro deste ano, um relatório da juíza Ana María Arratia Valdebenito advertiu que no pavilhão 5, onde começou o incêndio, estavam 484 detentos, com mais de 100 por andar. Um dos fiscais que investigará a tragédia, Alejandro Peña, disse que segundo relatórios preliminares, o incêndio "foi intencional".

Centenas de familiares dos presos foram para a frente do presídio e tiveram que esperar horas para conhecer os nomes de alguns sobreviventes. Eles jogaram pedras em Luis Masferrer, chefe nacional da polícia penitenciária, que lia a lista com os nomes dos sobreviventes, que acreditaram ser dos nomes dos mortos.

A mãe de um dos mortos declarou que seu filho estava preso há 20 dias e ainda tinha mais 10 de sentença para cumprir, por vender filmes pirateados.

Pedro Hernández, presidente da associação de funcionários penitenciários, afirmou à imprensa que no momento do incêndio apenas cinco guardas e carcereiros estavam de serviço, para uma população carcerária de 1.900 condenados. A informação foi confirmada logo por Daniel Vega, outro dirigente penitenciário.

Familiares dos presos disseram que os bombeiros só puderam entrar na prisão depois da tropa de choque. Um preso deu a mesma informação, falando de um celular de dentro do presídio. "A tropa de choque entrou antes e só depois entraram os bombeiros", disse o detento.

Autoridades penitenciárias disseram que os bombeiros só começaram a chegar ao local 20 minutos após o começo da briga entre os presos.

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