Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

ESTUDO

Imagens violentas podem dessensibilizar jovens

19 OUT 2010Por 22h:17

Garotos adolescentes repetidamente expostos a programas de televisão, filmes e video-games violentos têm mais chances de se tornar insensíveis à violência, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira.
Não é a primeira vez que pesquisadores investigam a hipótese de que imagens violentas podem brutalizar os jovens.

A maior preocupação dos cientistas é com a parte do cérebro que controla as emoções e reações a eventos externos - em outras palavras, o "freio" que obedece a nosso senso de certo e errado -, que ainda está em fase de desenvolvimento durante a adolescência.

As últimas pesquisas neste campo, no entanto, vêm sendo questionadas por falta de indícios sobre o que de fato acontece com as funções cerebrais, principalmente na área conhecida como córtex lateral orbitofrontal (OFC, na sigla em inglês), quando um adolescente é exposto a cenas de violência.

Junto com sua equipe, Jordan Grafman, do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames dos Estados Unidos, estudou o comportamento de 22 garotos com idades entre 14 e 17 anos, com o objetivo de obter dados clínicos.

Cada um dos jovens assistiu a uma série de clipes curtos, de quatro segundos, mostrando cenas de violência, extraídos de 60 vídeos diferentes.

As imagens foram escolhidas previamente por um outro grupo de adolescentes, que as classificaram como muito, médio ou pouco violentas. Elas foram exibidas em ordem aleatória aos voluntários do estudo, em blocos de 20 clipes.

Os jovens assistiram às cenas deitados em um aparelho de ressonância magnética, usado para monitorar sua atividade cerebral. Além disso, seus dedos estavam ligados a sensores, capazes de medir a condutividade elétrica da pele, que varia de acordo com o suor; este dado é considerado útil como guia à resposta emocional a estímulos.

Os pesquisadores averiguaram que, quanto mais tempo os garotos olhavam para as imagens mais violentas, menos reagiam em termos de atividade do OFC e da condutividade da pele.

O mesmo não ocorreu quando os voluntários eram expostos às imagens consideradas de menor grau de violência.

A pesquisa foi publicada na versão online da revista britânica Social Cognitive and Affective Neuroscience.

 

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