segunda, 23 de julho de 2018

Hospital custeava maior parte da propina, diz MPE

29 SET 2010Por 00h:00

Antonio Viegas, Dourados

Investigações da Polícia Federal que deram origem à Operação Uragano revelaram que a maior fonte de propina para custear o “mensalão” dos vereadores estava no setor de saúde. O Hospital Evangélico arcava com R$ 50 mil mensais para vereadores. O dinheiro vinha do convênio da instituição com a prefeitura, para atendimento a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).
No dia 9 de março de 2009, a prefeitura de Dourados firmou contrato com o HE, que havia se descredenciado do SUS, pactuando todos os serviços médicos hospitalares, pelo valor de R$ 1.650.000,00 para voltar a atender o convênio. Foram celebrados ainda outros dois contratos para o HE administrar o Hospital do Trauma (Hospital da Vida) e o Hospital da Mulher, no valor total de R$ 750 mil mensais, totalizando R$ 2,4 milhões. No fim de 2009, com vários aditivos, o HE já recebia R$ 3,2 milhões/mês.
Para o Ministério Público, tais contratações e sucessivos aditamentos de valores, foram realizados em troca do “retorno” aos agentes públicos, de R$ 50 mil mensais, que constituiria a principal receita do “mensalão” dos vereadores. A Polícia Federal apurou que, desde a data da celebração do contrato, teriam sido repassados cerca de R$ 800 mil em propina. Além disso, considerado como “receita adicional esporádica”, o HE se comprometeu em repassar mais R$ 100 mil ao prefeito Ari Artuzi, por conta de uma transação de compra de medicamentos.
Além do prefeito, foram denunciados os diretores do HE, Paulo Roberto Nogueira, Marco Aurélio de Camargo Areias, Eliézer Soares Branquinho, o médico e ex-secretário-adjunto de saúde, Dilson Degutti, o ex-procurador do município Alziro Arnal Moreno e ainda Sidnei Herédia, citado como o responsável por fazer o “levantamento” de notas frias, utilizadas para encobrir as irregularidades.

Entenda o caso
O HE, que se descredenciou do SUS na administração do ex-prefeito Laerte Tetila (PT), voltou a atender no início de 2009, já com a prefeitura sob o comando de Artuzi. No período em que o hospital, suspendeu o atendimento, o então prefeito Tetila transformou a maternidade pública que era administrada pelo HE em pronto-socorro (Hospital do Trauma) e alugou um hospital particular (Hospital Santa Rosa), para implantar o Hospital da Mulher (HM). Essa transação com o Santa Rosa é alvo de processo.

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