Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

Hospital analisa identidade genética de tumores cancerígenos

6 JAN 2011Por Veja01h:24

O hospital Vall d'Hebron, de Barcelona, inaugurou um laboratório de análise de genomas exclusivamente dedicado ao câncer. Seu objetivo é otimizar o tratamento dos pacientes. No laboratório são analisadas em uma hora 625 mutações genéticas possíveis em 70 genes diferentes nas células tumorais obtidas em autópsias. Em função das mutações identificadas, os médicos podem afirmar se um paciente responderá ou não a um tratamento específico.

Por ora, essas análises genéticas em massa se aplicam a um número reduzido de tumores para prever a eficácia de uma pequena lista de medicamentos. Nos próximos anos, quando surgirem novos fármacos contra alterações genéticas específicas das células tumorais, a tendência é esse tipo de análise crescer.

O câncer colo-retal oferece o melhor exemplo de como se começa a utilizar essa experiência. Uma nova família de medicamentos que inibe o receptor EGFR na membrana das células melhorou o tratamento desse tipo de câncer nos últimos anos. A melhora se explica porque o receptor EGFR envia ao núcleo da célula a ordem para dividir-se. Por isso, caso se bloqueie o receptor, deve se frear a proliferação celular característica do câncer.

No entanto, os oncologistas observaram que, enquanto os novos fármacos são muito úteis em alguns pacientes, não têm nenhuma utilidade para outros. Não se trata de que sejam mais úteis em alguns e em outros nem tanto. É uma questão de tudo ou nada. A explicação está na genética.

Segundo um estudo de pacientes do Vall d'Hebron publicado na revista Journal of Clinical Oncology, os inibidores de EGFR são ineficazes nos casos em que o gene KRAS passou por mutação. Isso se explica porque as mutações do KRAS podem induzir as células a se proliferar inclusive quando se bloqueia o receptor EGFR.

Como 40% das pessoas com câncer colo-retal metastático têm mutações do gene KRAS, os candidatos a receber inibidores EGFR se reduzem a 60%. Portanto, "é necessário analisar se um paciente tem mutações no gene KRAS antes de decidir se deve ser tratado com esse tipo de fámaco", afirma Tabernero.

Apesar da utilidade de analisar o gene KRAS, os oncologistas observaram que nem todos os pacientes candidatos a receber inibidores de EGFR respondem ao tratamento. De novo, é uma questão de tudo ou nada.

Um segundo estudo no qual participou o Vall d'Hebron, publicado em agosto na The Lancet Oncology, detectou que outros três genes condicionam a eficácia dos inibidores de EGFR. Quando há mutações em algum dos três (chamados BRAF, NRAS e PIK3CA) os fármacos também não funcionam. Analisar esses genes, portanto, permitirá selecionar melhor os pacientes nos quais o tratamento será eficaz
 

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