Segunda, 11 de Dezembro de 2017

CPI

Homex embolsou
R$ 60 milhões em Campo Grande

23 JAN 2014Por Gabriela Pavão18h:15

Durante a quarta oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito da Homex, realizada nesta tarde, no Plenarinho Edroim Reverdito, os vereadores que conduzem os trabalhos de investigação calcularam que a construtora mexicana faturou cerca de R$ 60 milhões de reais em Campo Grande.

De acordo com o presidente da CPI, vereador Alceu Bueno (PSL), o valor corresponde à venda de 700 imoveis. ''Esse valor foi pago pelo Governo Federal, com os subsídios, e pelo Caixa Econômica que financiou os imoveis, no ato da venda. A principio faltou apenas R$ 3 milhões para a Homex receber da venda total desses imoveis'', afirmou.

Os integrantes da CPI ouviram o presidente do Sinduscon/MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul), Amarildo Miranda Melo, e o engenheiro José Carlos Ribas, que representou o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea/MS), Jary de Castro.

O presidente da CPI questionou ao Sinduscon/MS o que teria motivado o abandono das obras pela Homex e chegou a insinuar que a empresa mexicana pode ter desviado o valor para outros empreendimentos no pais.

Em resposta à Bueno, Melo afirmou que a construtora não era filiada a instituição e que por isso o sindicato desconhece o motivo. O presidente do Sinduscon/MS disse também que o orgão não recebeu reclamações formais ou documentadas de trabalhadores ou empresas sobre calote da construtora mexicana na Capital, mas ainda assim buscou diversas vezes dialogar com a Homex. ''Ficamos sabendo dessas irregularidades através da mídia e tentamos dialogar com a construtora, mas nunca tivemos respostas dos oficios'', informou.

''O sindicato foi prejudicado pelo calote da Homex. Isso que aconteceu eh muito ruim e desqualifica o setor, porque gera desconfiança do mutuário. A preocupação nossa eh o mutuário e o que vale para nós é a imagem do setor. A Homex nunca procurou nosso apoio para resolver os problemas'', explicou.

Sobre o atraso na entrega das obras, Melo diz que o problema é comum no setor regional e justifica o fato apontando dificuldades com mão-de-obra especializada.

O representante do Crea/MS, engenheiro José Carlos Ribas, afirmou aos vereadores que a Homex tem registro ativo no órgão e negou a existência de reclamações oficiais sobre a atuação da empresa. De acordo com Ribas, também não existe solicitação de verificação das obras da construtora mexicana. ''O Crea/MS investiga a atuação da empresa e fiscaliza o andamento das obras, mas para isso deve ser provocado por um cidadão, pela Camara de Vereadores ou outro orgão publico. Depois encaminha para o Ministério Publico Federal que tem poder de embargar a obra'', explicou.

Ribas ressaltou que caso haja denuncia o conselho abrira um processo ético-disciplinar para investigar o profissional responsável pela obra, no caso um engenheiro.

Estiveram também presentes os vereadores Airton Saraiva (DEM), Edson Shimabukuro (PTB) e Otávio Trad (PT do B), alem do presidente da comissão. Alceu Bueno (PSL), A próxima oitiva está marcada para o dia 30 de janeiro, às 14h, quando devem depor representantes da Homex e da VBC Engenharia LTDA, empresa contratada pela Caixa Econômica para concluir as obras dos residenciais restantes. No próximo dia 06 de fevereiro, também às 14 horas, está marcada a oitiva de representantes da Caixa Econômica Federal.  

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