Segunda, 18 de Dezembro de 2017

Homem visita túmulo da esposa todos os dias por 20 anos e é enterrado ao lado dela

4 FEV 2014Por jornal ciência19h:00

Nos últimos 20 anos, um homem chamado Roque Abalsamo, apelidado de "Rocky", fez algo que é simplesmente desolador. Em 1993, Julia Echeverria Abalsamo, conhecida por ele como "Julita", faleceu. Desde aquele dia, ele sentou-se diligentemente próximo ao seu túmulo no Cemitério São José, em Boston. Ele não comia. Ele não bebia. Todos os dias, Rocky foi corajoso e passou por calor, chuva, frio e neve para estar ao lado de sua falecida esposa. Eles se conheceram quando eram adolescentes em um café na sua cidade natal, em Buenos Aires. Rocky estava sentado de costas para Julita quando ele a ouviu falar com os amigos sobre a alma, a vida, a bondade. Mesmo antes de ver seu rosto, ele decidiu: "Isto é para mim. Eu preciso saber dela".

Ele disse que se apaixonou por ela e "não porque ela era algo" - ele fez o símbolo de uma figura de ampulheta com as mãos - "mas porque ela estava", acrescentou ele, fazendo o gesto novamente. "Ela era puro amor. Sua beleza era um presente à parte, uma recompensa". Eles compartilharam um primeiro beijo em 16 de setembro de 1937, uma data que celebravam anualmente. Eles se casaram em abril do ano seguinte. Depois de sua filha Ângela, eles tiveram um filho, Roque Jr. Rocky trabalhou durante três décadas como um engenheiro civil enquanto Julita cuidava de sua família. Eles seguiram com os seus filhos para os Estados Unidos em 1971 e estabeleceram-se em Boston um ano depois.

Rocky e Julita eram casados há 55 anos, quando Julita precisou de uma cirurgia cardíaca. Ela morreu em decorrência de complicações após o procedimento. Rocky estava tão perturbado sem ela e percebeu que precisava estar perto de sua esposa. Foi por isso, então, que ele começou sua vigília diária junto a seu túmulo, que durou mais de duas décadas.

Em Boston, ele era uma celebridade local. Rocky tinha visitantes no cemitério que lhe traziam roupas ou alimentos. Às vezes, eles iam apenas para fazer companhia. Não importa quanto tempo de visita, todo mundo que ele conheceu foi movido pelo amor que ele tinha por sua esposa. "Ela é parte de mim, por isso estou aqui", disse ele. "Estar aqui me faz sentir melhor. Não é bom, mas melhor. Eu faço isso por Julita, e por mim mesmo". Rocky continuou sua peregrinação diária até 2005, quando seu filho foi morto em um acidente de carro na Califórnia. Embora ele ainda visitasse o túmulo de Julita regularmente, Rocky passou mais tempo com seus familiares sobreviventes. Sua última visita foi em julho, antes de cair doente. Tragicamente, Rocky morreu esse ano, no dia 22 de janeiro em Stonehenge Health Center. Ele estava com 97 anos de idade e já possuía uma saúde debilitada há um tempo. Entre os pertences que ele carregava diariamente ao cemitério havia uma fotografia de uma mulher bonita com olhos verdes e cabelos escuros. Na parte traseira, ela havia escrito: "Hoje o céu sorri para mim. Eu vejo você. Você olha para mim. Hoje eu acredito em Deus. Com todo o meu amor, Julita".

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