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PAC

Hidrovia terá investimento de R$ 126 milhões do PAC

30 JUN 10 - 07h:41
Sílvio Andrade, Corumbá

Seminário para discutir onde e como investir R$ 126 milhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para 2010/2014 na Hidrovia do Paraguai, realizado ontem em Corumbá, revelou a necessidade de modernização da via natural em infraestrutura portuária para tornar-se competitiva. A hidrovia de 1.270 km é estratégica para escoamento da produção de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Embora sua importância vital seja reconhecida para baratear custos de transporte, em comparativos à rodovia e à ferrovia, a via vem recebendo poucos recursos e de forma descontínua, gerando um atraso tecnológico, deficientes terminais e embargos judiciais e alfandegários. O porto de Ladário, da antiga Portobrás, é um exemplo desse descaso: tem ligação intermodal, mas não opera.
Com o PAC, os investimentos chegam, embora em valores singelos em relação a outros modais aquaviários do País e representam um novo momento para o transporte fluvial na bacia pantaneira. O dinheiro é destinado à melhoria dos terminais, dragagem em pontos críticos e alinhamento do canal na ponte ferroviária de Porto Esperança, onde as barcaças cruzam com riscos de acidentes.
Paralelamente a essa intenção governamental, a Marinha, que gerencia a segurança na hidrovia, anuncia a navegação eletrônica de Cáceres a Assunção (Paraguai), por meio de croquis ou carta, o que significa um salto de qualidade. O objetivo da Marinha, segundo o comandante do 6º Distrito Naval, em Ladário, contra-almirante Domingos Sávio Nogueira, é dar confiabilidade à navegação.

Cargas
Até 2011, a Marinha emitirá 143 cartas náuticas, hoje são 25. “Precisamos acreditar mais no potencial hidroviário”, disse o capitão-de-fragata Rogério da Silva Cavalcante, da Capitania dos Portos, unidade da Marinha em Corumbá. Em exposição no encontro, ele citou algumas deficiências preocupantes, como embarcações ultrapassadas operando, indústria naval incipiente e desorganização portuária.
A falta de investimentos na via, sobretudo nos últimos 20 anos, está atrelada à forte campanha de organizações ambientalistas contra o aumento do fluxo de cargas, sob a alegação de ser um risco ao Pantanal. Os operadores introduziram tecnologias inovadoras para comandar os comboios, reduzindo os impactos com as margens do Rio Paraguai, porém a gestão pública ficou na contramão.
Apesar do abandono da via, em 2008 ela bateu recorde histórico ao movimentar 4,6 milhões de toneladas para países latinos e além-mar, grande parte de minério de ferro. O custo de transporte por água reduz o frete em cinco vezes em relação à rodovia, e até três, em comparativo à ferrovia, mas o Brasil usa apenas 5% dos corredores fluviais de 29 mil km para escoar sua produção.

Ferrovia
A produção de matéria-prima de Mato Grosso, de 27,5 milhões de toneladas, sai por rodovias. Apenas 14,9% da soja da região de Cáceres desce o Rio Paraguai para atender mercados da Bolívia e Argentina. Em 2009, apenas 11.800 toneladas foram transportadas, volume em queda. Além do barateamento do custo-transporte, a hidrovia reduz em até 68% a emissão do CO² à atmosfera.
Operadores presentes ao encontro cobraram a recuperação da Novoeste, que precisa chegar à hidrovia, e maior rapidez do Ibama na liberação de licenças ambientais. A reunião promovida pelo Ministério dos Transportes teve a participação de órgãos interligados, como a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviarios) e Ahipar (Administração da Hidrovia do Paraguai), e a Marinha e o Estado.
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