quinta, 19 de julho de 2018

COMÉRCIO VAREJISTA

Grandes redes ignoram bairros populosos

31 OUT 2010Por ADRIANA MOLINA02h:50

Os bairros mais populosos de Campo Grande ficaram de fora dos planos de grandes redes supermercadistas que se instalaram na Capital. Isso porque os estudos de viabilidade feitos por essas empresas, que verificam, além da quantidade de pessoas, a renda per capita de cada região candidata a ter uma sede de loja, não aprovaram até hoje bairros como Aero Rancho, que tem, segundo estudo da Prefeitura de 2007, mais de 33,8 mil moradores.

Nenhum dos grandes grupos que estão na cidade, como Extra, Wal Mart, Comper e Carrefour chegou até lá. Enquanto no Centro, onde existe apenas cerca de um terço do volume de pessoas, 12,1 mil moradores, existem pelo menos cinco supermercados com essas marcas – alguns até a poucas quadras de seus concorrentes. Nas Moreninhas, onde a população chega a até 70 mil, sendo que a região em que está, a do Bandeira, tem 104 mil moradores, a situação é a mesma – só existem mercados de menor porte.

A explicação pode estar justamente na renda dos habitantes. No Aero Rancho, são cerca de 1,3 mil sem qualquer rendimento segundo a Prefeitura e, a maioria dos trabalhadores, cerca de 3,2 mil, ganham entre um e dois salários mínimos. Na região das Moreninhas, a situação é parecida. São 2,1 mil que se declaram sem rendimento e a maior parte dos demais, cerca de 5,7 mil trabalhadores, ganham até R$ 1,1 mil.

Já no Centro, o cenário é totalmente contrário. A maior parte da população, cerca de 5,3 mil trabalhadores, ganha por mês entre cinco e 10 salários mínimos. Sem nenhum rendimento são apenas 99 pessoas.

Conceitos
A Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados (Amas) acredita que a definição de onde abrir uma loja é um conceito muito particular, que envolve os interesses de cada grupo em classes sociais e a viabilidade do negócio – investimento e retorno. Dessa forma, não há como fazer uma distribuição igualitária desses estabelecimentos, o que acaba por deixar desassistidas algumas regiões.

"Todos fazem estudos de viabilidade, consideram sim volume de pessoas e a renda delas. Mas acredito que, além desses interesses, temos ainda aqui na Capital um conceito de mercado muito voltado a bairro ainda, com atendimento mais próximo – muitos ainda gostam disso", diz o presidente da entidade, Acelino de Souza Cristaldo.

Uma das maiores redes instaladas em Campo Grande, a Comper, com 11 lojas na cidade, sendo que quatro foram abertas nos últimos dois anos e meio, diz que o estudo feito para decidir onde empreender é minucioso, e envolve, inclusive, pesquisa de marketing.

"Temos planos de chegar a esses bairros populosos, mas isso ainda depende de uma série de fatores, que estão sendo avaliados, como a renda per capita, classes sociais que vamos atingir, concorrência e disponibilidade de local", disse o gerente nacional de patrimônio, Valter Sandim de Almeida.

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